Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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O KITSCH EM MANUEL PUIG: ARTICULAÇÕES ESTÉTICAS E POLÍTICAS
Juan Ferreira Fiorini

Última alteração: 18-10-18

Resumo


Esta pesquisa tem por objetivo investigar as implicações do kitsch em um conjunto de cinco romances do escritor argentino Manuel Puig (1932-1990): A traição de Rita Hayworth (1968), Boquitas pintadas (1969), The Buenos Aires Affair (1973), O beijo da mulher aranha (1976) e bis angelical (1979). Nesta investigação, a sensibilidade kitsch será analisada a partir de dois desdobramentos. Em primeiro lugar, ao abordá-la como um fenômeno estético estreitamente vinculado à história da arte. O termo kitsch se referirá a uma estética ou a uma miríade de objetos ressignificados artisticamente que se caracterizam pela superficialidade, pela artificialidade e pela pretensão artística daquilo que até então não conformaria um ideal estético de arte, cuja caracterização tem seu alicerce na ascensão da burguesia e na formação da sociedade de consumo. No segundo momento, o kitsch é considerado também como uma articulação política, que se fundamenta nos próprios gestos de reconhecimento dos usos do kitsch como ferramenta artística de horizontalização dos próprios produtos enquanto instrumentos de análise ou comparação, como um conjunto de práticas de borramento das fronteiras de uma pressuposta escala de valores entre objetos e suportes, como legitimação dos ícones da indústria cultural dentro de um panorama cultural e como ação de afirmação de identidades surgidas e alimentadas pelos signos da reprodução barata, do contraponto ao “belo”, da estetização artificializante e dos estatutos da excentralidade, da subalternidade e do periférico.