Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Contribuições das escolas do movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Mato Grosso para a educação campesina na Colômbia.
Yohana Marcela Sierra

Última alteração: 07-10-18

Resumo


1A colonização e a subalternização são os processos mais atrozes vivido pela população de América Latina desde o final do século XV, quando os conquistadores impuseram sua visão do mundo sobre os povos nativos americanos. Dessa forma, romperam com as estruturas sociais já estabelecidas nas populações locais, aniquilando civilizações inteiras e, com elas, toda a riqueza material, espiritual, seus saberes ancestrais e suas práticas educativas. Desta maneira, a educação, e com ela a escola, tornam-se instrumentos de manutenção da ideologia colonizadora, sobretudo em instituições escolares rurais onde se disponibilizam parcos conhecimentos e se estimula o engajamento como mão de obra na produção agrícola. Por tanto e indispensável analisar iniciativas pedagógicas desenvolvidas em escolas do campo, coordenadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Mato Grosso, avaliando as possibilidades e dificuldades de sua adaptação ou replicação em realidades similares, como nas escolas campesinas da Colômbia. Esse modo contribui com o debate acadêmico e social e leva a cabo a transformação da escola campesina que esteve, historicamente distante das expectativas e necessidades dos camponeses. Constata que a deficiência no sistema escolar é evidente, mas no contexto rural é ainda maior, já que a escola se instaurou como um elemento integrador da nacionalidade a partir de uma visão urbanizadora, gerando dificuldades para a adaptação de um currículo único sustentado em à cultura camponesa. Para a realização desta investigação propôs-se uma fundamentação teórica sustentada no paradigma hermenêutico interpretativo que possibilita compreender as situações e experiências da realidade social com um recorte latino-americano. Teremos como autores que sustentam o estudo Nelson Maldonado-Torres (2007-2008) Aníbal Quijano, (1999) e Raul Zibechi, (2015) dentre outros que discutem a temática da colonialidade e da descolonização em diversos países da América. Além deles, daremos especial atenção às formulações teóricas e às iniciativas concretas de formação do MST em sua longa trajetória educacional. A pesquisa sustenta-se em um enfoque qualitativo, em que a pesquisadora terá a oportunidade de estabelecer um desenho de investigação flexível, a partir da formulação de questões diretivas. Assim poderá perceber os cenários e os atores sociais, tendo em conta o seu passado e as situações em que se encontram atualmente.  As observações serão sustentadas também por entrevistas, diálogos formais e informais, perguntas e respostas. Ainda a pesquisadora não possa (e nem deseje) eliminar todos os vieses resultante do convívio com as pessoas, procurará, sempre que possível manter um distanciamento metodológico prudente. Dentre as ferramentas a serem utilizadas em campo destacamos o Diagnóstico Rápido Participativo – DRP, que consiste em um método de trabalho para reunir e analisar informação produzida por diferentes grupos populacionais em um tempo relativamente curto. O DRP possibilita obter informações sobre a cotidianidade de um grupo específico de pessoas de forma rápida e eficiente.

Palavras-chave: Colonialidade. Descolonizar. Movimento MST.


[1] Resumo de Yohana Marcela Sierra Casallas. Candidata a mestrado em Educação.