Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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GEOLOGIA E PETROLOGIA DO GNAISSE SHANGRI-LÁ, COMPLEXO CHIQUITANIA: MAGMATISMO OROGÊNICO PALEOPROTEROZOICO DO TERRENO PARAGUÁ - SW DO CRATON AMAZÔNICO
Sebastião Vinícius Neves Silva, Maria Zélia Aguiar Sousa, Amarildo Salinas Ruiz

Última alteração: 26-10-18

Resumo


O Complexo Chiquitania, corresponde a orto e paragnaisses polideformados expostos no oriente boliviano e sudoeste de Mato Grosso, no Brasil. Em associação com o Complexo Lomas Manechis e Grupo San Ignácio, os gnaisses tipo Chiquitania, compõem o embasamento paleoproterozoico do Terreno Paraguá, na Província Rondoniana-San Ignácio, no SW do Cráton Amazônico. Considerando que o magmatismo granítico representado por esta unidade, com idades de cristalização entre 1690 a 1720 Ma (U-Pb em zircão), retrata um significativo evento de geração crustal do Terreno Paraguá, este trabalho pretende contribuir, por meio de dados geológicos, petrográficos e litoquímicos, para o entendimento da evolução magmática e tectônica do SW do Cráton Amazônico durante o período estateriano, e, em adição, correlacionar o mesmo a eventos ígneos sincrônicos no planeta.  As rochas que corresponde ao gnaisse Shangri-lá, apresentam bandamento composional centimétrico a milimétrico de cores cinza-claro e cinza-escuro composto, respectivamente, por quartzo, feldspato alcalino e plagioclásio e por agregados ricos em biotita e anfibólio.  Opticamente, esses níveis félsicos e máficos apresentam textura granoblástica e lepidoblástica/nematoblástica de granulação fina a média.  Os minerais acessórios são zircão, allanita, titanita e opacos, enquanto os de alteração compreendem sericita, muscovita, epídoto, argilominerais e clorita.   Geoquimicamente, os protólitos do Gnaisse Shangri-lá apresentam caráter ácido, com valores de SiO2 entre 64 % e 76 % sendo classificados como tonalitos, granodioritos e granitos no diagrama R1-R2 proposto por De la Roche et al. (1980). A distribuição de elementos maiores em relação sílica, dessas amostras, exibe correlação negativa pra Al2O3, CaO,FeOt, MgO, TiO2 e P2O5, sugerindo uma evolução magmática com participação de cristalização fracionada de plagioclásio, hornblenda, biotita, apatita, ilmenita, magnetita e hematita. Os diagramas AFM e A/CNK versus A/NK, propostos respectivamente por Irvine e Baragar (1971) e Maniar & Picolli (1989) sugerem que o magmatismo que originou os protólitos do Gnaisse Shangri-lá era não toleítico de natureza metaluminosa a peraluminosa; enquanto  os gráficos Y+Nb versus Rb e Hf-Rb/30-3Ta, respectivamente, de Pearce (1884) e Harris et al. (1986) apontam para sua colocação em ambiente tectônico de arco magmático. Os padrões de elementos terras raras (ETR) do Gnaisse Shangri-lá, normalizados nos valores condríticos, de Nakamura (1977), apresentam um enriquecimento acentuado de ETR leves em relação ETR pesados. Os elementos traço, normalizados pelos valores de granitos de Cordilheira Meso-Oceânica de Pearce et al. (1984), mostram enriquecimento de elementos litófilos de raio iônico grande (LILE) em relação aos de alto potêncial iônico (HFSE), com anomalias positivas de Rb e Ba e negativas de Th, Ta e Nb. Sendo assim, o Gnaisse Shangri-lá corresponde a gnaisses ortoderivado, polideformado, formado por um magmatismo de arco magmático, semelhante aos gnaisses do Complexo Chiquitania no território brasileiro.

 


Palavras-chave


Gnaisse Shangri-lá, Litoquímica, Complexo Chiquitania