Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
Etnoturismo, Fortalecimento Cultural e Resistências Contrahegemônicas- Quilombo Mutuca Mata Cavalo.
Bruna Mendes de Fava, Dolores Cristina Gomes Galindo

Última alteração: 04-10-18

Resumo


O turismo contempla mudanças no cenário mundial e integra as relações sociais das comunidades tradicionais, podendo ocorrer de forma planejada, inserindo a comunidade no processo de desenvolvimento, ou ser imposta pelas forças econômicas, colocando a população a margem do processo de planejamento, desenvolvimento e geração de divisas. Existem comunidades tradicionais que subvertem as imposições hegemônicas da atividade turística e vislumbram alternativas de renda através do turismo de base comunitária e do turismo étnico. Essas formas de fazer turismo são integradas e vão na contramão dos processos hegemônicos já que valorizam atividades turísticas de vivência de experiências fidedignas ao proposições comunitárias e o contato direto com os processos identítários de grupos étnicos. Esta pesquisa tem como objetivo analisar as possibilidades e benefícios potenciais do turismo étnico em uma comunidade tradicional quilombola como alternativa de resistência ao poder hegemônico, fortalecimento cultural através do etnodesenvolvimento e da economia solidária. Pretende-se analisar as transformações das práticas culturais como mercadoria para o turismo e como é possível subverter as imposições hegemônicas da atividade turística e vislumbrar alternativas de renda através do turismo de base comunitária e do turismo étnico, identificando o papel da comunidade, do poder público e privado na produção do espaço turístico. A pesquisa apresenta caráter exploratório e propõe como recorte espacial a comunidade quilombola Mutuca Mata Cavalo– MT. A justificativa de escolha dessa comunidade é atrelada ao interesse dos quilombolas desse local na modalidade do “turismo étnico” e apresentarem práticas culturais relevantes para a análise das transformações e ressignificações. Como metodologia serão aplicados questionários estruturados com os membros da comunidade quilombola e turistas potenciais, entrevistas semi-estruturadas com representantes do poder público e líderes comunitários. Como resultados esperados pretende-se defender o turismo de base comunitária como alternativa econômica que fortalece a cultura quilombola da comunidade Mutuca e resiste as imposições hegemônicas que  assolam a realidade contemporânea. Para respaldar a importância do turismo como alternativa de desenvolvimento na comunidade Mutuca, pretende-se abordar iniciativas de desenvolvimento do turismo étnico já iniciadas, e que vislumbram a perspectiva democrática e de fortalecimento cultural, contribuindo com a comparação (benchmarking), modelo e incentivo para comunidade quilombola Mutuca-Mata Cavalo. Gerir o turismo étnico consciente requer mobilidade das comunidades propostas e é constituído modo de resistência cultural, pois propõe uma nova forma de organização social sem negligenciar os aspectos culturais, condicionalmente contra os avanços do conservadorismo e dos processos antidemocráticos vividos atualmente. O turismo nessa perspectiva, é endógeno, acontece “de dentro pra fora”, já que é a própria comunidade quem toma a iniciativa de desenvolvê-lo e não interessados alheios ao contexto cultural envolvido. Portanto, o interesse da comunidade em realizar o etnoturismo já consiste resistência ao poder hegemônico, pois ao invés de tolher a liberdade dos seres culturais, integra a cultura tradicional ao fazer turismo. Os quilombolas da comunidade objeto de estudo, vislumbram um turismo de experiência e de vivência tradicional, que os fortaleça ainda mais como membros sociais e culturais além de garantir os benefícios para todos os envolvidos.


Palavras-chave


Quilombolas; Turismo Étinco; Fortalecimento Cultural.