Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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COTISTAS E NÃO COTISTAS NEGROS E BRANCOS NA UFMT: IDENTIDADES CONTEMPORÂNEA EM (RE) CONSTRUÇÃO.
Michelangelo Henrique Batista

Última alteração: 07-10-18

Resumo


A sociedade contemporânea continua nos impondo grandes desafios de enfrentamentos, dentre os quais destacam os processos identitários, que enquanto conceito a identidade configura-se como uns dos mais complexos e multifacetados largamente empregados dentro e fora do mundo acadêmico. O que fazer diante de uma imensidão de pesquisas sobre identidade? Propor algo inusitado ou ser fiel à nossas inquietações? Decidimos pela segunda opção, e estamos desenvolvendo uma pesquisa que tem por objetivo geral: “Compreender o processo de (re) construção das identidades raciais de sujeitos (as) negros (as) não engajados em movimentos sociais de afirmação de identidades negras no campo acadêmico dos cursos da UFMT, no contexto das Ações Afirmativas na contemporaneidade”. Não obstante, a fundamentação teórica da pesquisa, tem como âncoras autores como Pierre Bourdieu (1989; 1998), Bauman (2005), Andrews (1998), entre outros autores e autoras. Os caminhos metodológicos que estão sendo traçados pela pesquisa detêm uma abordagem qualitativa, que tem por método, um Estudo de caso (CHIZZOTTI, 2003; 2006) e como técnicas de pesquisa; a entrevista estruturada e a entrevista semi estruturada, que estão sendo aplicadas em uma turma de primeiro ano de Pedagogia e uma turma de primeiro ano de Direito, ambos os cursos da UFMT/Campus Cuiabá/MT. A aplicação da entrevista estruturada já foi concluída e a da entrevista semi estruturada ainda está em desenvolvimento. Contudo, os dados produzidos pela primeira técnica de pesquisa são instigantes, revelando um quadro previsível teoricamente, quadro esse, que se inclina a demonstrar que cotistas e não cotistas interagem de forma supostamente cordial, mas não plenamente pacífica. Outro quadro que começa a tomar forma é oriundo de peculiaridades que refletem uma dinâmica dual entre o individual e social, que está supostamente ora subordinado à uma demanda individual, ora a um questionável, mas possível “fetiche da demanda”.

 


Palavras-chave


Relações Raciais; Identidade; Identidade Racial; Universitários.

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