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RECURSOS IMAGÉTICOS: ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA DA LIBRAS COMO L2
Áurea de Santana Bueno, Anderson Simão DUARTE

Última alteração: 18-10-18

Resumo


A Língua Brasileira de Sinais (Libras) reconhecida pela Lei nº 10.436/02 e regulamentada pelo Decreto 6.526/05 como forma de comunicação e expressão, constitui um sistema linguístico de modalidade visuo-motora, conforme estabelece a referida lei. Contudo, embora legitimada, não foi oficializada como língua oficial do país, 16 anos após seu reconhecimento. Entretanto, por força desta lei, a Libras deve figurar como disciplina obrigatória nas graduações de licenciaturas e como optativa nos cursos bacharelados. Assim, o presente texto surgiu a partir dos registros das observações nas aulas de Libras no 4º ano do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá. O objetivo foi observar em que medida o uso de recursos visuais potencializa a aprendizagem da Libras como L2, ou seja, aprendizagem de Libras por ouvintes – na perspectiva da enunciação discursiva. Nesse entendimento, considera-se que a metodologia pautada na visualidade favorece a construção imagética que possibilita a compreensão e a elaboração dos enunciados, potencializando, dessa forma, a aprendizagem com sentido, ou seja, com novos acordos de sentidos. Ao passo que, os sinais meramente articulados não favorecem a compreensão de forma holística. Embora, as observações foram feitas numa mostragem de cinco aulas, já nos forneceu indicativos positivos da importância da exploração dos recursos visuais para desenvolvimento de uma aprendizagem significativa. Nesse sentido, asseveramos que a formação do professor é fundamental e determinante nas escolhas de estratégias pedagógicas que contribuam para o processo de aprendizagem em todas as áreas de conhecimento. Nesse entendimento, espera-se que este trabalho possa compartilhar conhecimentos e fomentar novas discussões a respeito dessa temática, assim como, promover reflexões quanto a necessidade de uma formação de “qualidade” para atuar no ensino de Libras, considerando que esse conhecimento é importante na educação dos sujeitos visuais[1] (surdos) os quais recebem as informações pela visualidade e as processa cognitivamente por imagem.


[1] Segundo Duarte (2016), trata-se do termo que melhor representa os sujeitos com surdez, uma vez que é pela visualidade que eles apreendem as informações e concebem o mundo, além de caracterizar o potencial linguísticos desses sujeitos (visuo-espacial), da mesma forma que os ouvintes são caracterizados pela sua potencialidade linguística (oral-auditiva).

 


Palavras-chave


Língua de Sinais, Metodologia, Visualidade, Aprendizagem.

Referências


BRAIT, Beth. Bakhtin: conceitos-chave. 5. ed., 3ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2016.

BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm> Acesso em: 30 jul. 2018.

______. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/lei10436.pdf. Acesso em: 30 jul. 2018.

DUARTE, Anderson Simão. Metáforas Criativas: processo de aprendizagem de ciências e escrita da língua portuguesa como segunda língua pelo estudante visual (surdo). Tese doutorado, REAMEC, 2016.