Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Temporalidade, juventude e projetos de vida: o que descreve o jovem universitário nos dias de hoje?
Natália Abido Valentini, Paola Biasoli Alves

Última alteração: 04-10-18

Resumo


Os processos de desenvolvimento humano são entendidos como social e historicamente construídos. Desse modo, é importante observar que eles estão em contínua transformação, assim como o próprio desenvolvimento é processo que se transforma na vida do sujeito a todo tempo. Ao entender a juventude como um processo de desenvolvimento e, portanto, com uma contextualização sócio-histórica, é essencial que se considere esse contexto e sua orientação temporal, que é também uma dimensão social e que sofre mudanças de geração a geração. Quando se trata da vivência temporal nas sociedades ocidentais contemporâneas, ela é demarcada pela simultaneidade, pela imprevisibilidade e pelo instantâneo. Sendo assim, os projetos de vida adquirem uma nova significação e podem se apresentar paradoxais: cobram-se a segurança e a estabilidade do adulto no desenvolvimento deles, enquanto o modo de temporalização contemporâneo não favorece essas duas dimensões. A imprevisibilidade dos projetos de vida se liga à multiplicidade de maneiras de vivenciar o mundo hoje. Diante dela, discute-se na literatura a ideia de que os jovens desenvolvam novas estratégias para lidar com a rapidez e a simultaneidade das mudanças. Entende-se que os jovens que apresentam estratégias capazes de neutralizar o temor do futuro (e.g. a possibilidade de enxergar a incerteza como uma multiplicação de possibilidades em vez de um limite) são os que possuem mais recursos “reflexivos”, ou seja, que possuem maior respaldo e acesso aos recursos sociais e culturais disponíveis. Aqui, esses recursos são entendidos como não cotidianos. Alguns exemplos de atividades não cotidianas seriam o contato com a política, a arte e demais atividades que não sirvam apenas para reprodução da existência do indivíduo. Percebe-se, então, que o processo de tornar-se adulto perpassa diferentes dimensões do indivíduo: a maturação biológica, os aspectos psicológicos e ontológicos, bem como o contexto social. Destarte, a temática é passível de ser abordada pelos conceitos apresentados no Modelo Bioecológico de Desenvolvimento Humano, uma vez que ele contempla uma visão integral de desenvolvimento. No presente trabalho, em fase de coleta de dados, busca-se compreender como os jovens se organizam e se percebem na temporalidade, na sua passagem para a adultez e nos seus projetos de vida, e também localizar o papel de suas famílias dentro dessas dimensões. Para tanto, o desenho do estudo é descritivo-exploratório. Ainda que juventude e projeto de vida sejam temáticas em ascensão, ao se abordar as questões do não cotidiano e do cotidiano e as contribuições do Modelo Bioecológico, existem especificidades que demandam a delimitação e a descrição no sentido de explorar esses aspectos. Uma vez que o Modelo Bioecológico aponta como uma das dimensões para a condução de uma investigação ecologicamente válida a construção de instrumentos novos, adequados à população e ao tema pesquisados, foram elaborados os seguintes instrumentos: a) Entrevista semiestruturada; b) Jogo declarativo; c) Jogo de sentenças incompletas; e d) Instrumento da linha do tempo. Com eles, buscou-se a adequação aos objetivos da pesquisa e a análise com base nos conceitos de Processo, Pessoa, Contexto e Tempo (PPCT).


Palavras-chave


Juventude; Temporalidade; Projeto de vida