Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Memórias, Percepção e Narrativas de mulheres negras no contexto da Justiça Climática
Cássia Fabiane Santos Souza, Michèle Tomoko Sato

Última alteração: 07-10-18

Resumo


A presente pesquisa versa sobre mulheres negras, ambiente e justiça climática. Temos por objetivo compreender os meios de lutas das mulheres negras e suas percepções acerca da justiça climática, verificando se essa pauta compõe o escopo de lutas dessas mulheres. Além disso, almejamos perceber nas agendas de luta étnica como a pauta ambiental se insere, do mesmo modo, investigamos a construção dos saberes dessas mulheres, em suas interações nos movimentos sociais, procurando compreender se elas, por meio de suas práticas cotidianas, de seus hábitos, de seus costumes, promovem ações para construção de sociedades sustentáveis. A pesquisa faz parte do projeto “Rede Internacional de Pesquisadores em Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA)”, que assume que embora as mudanças climáticas atingirão todos os habitantes da Terra, há grupos sociais em mais situações de vulnerabilidade. Adotando a epistemologia e a práxis de Gaston Bachelard e Michèle Sato, os elementos água, terra, fogo e ar são as metáforas que adensam a fenomenologia para apreciar se a pauta racial adjunta a dimensão climática em suas narrativas. Realizamos entrevista com 11 mulheres negras de diferentes expressões sociais: saúde, educação, direitos humanos, artes. Para as mulheres negras, em situação de luta, a condição de uma sociedade sustentável passa a ser possível a partir da conexão entre as dimensões de gênero, raça e ambiente, em que as pautas mobilizam movimentos globais e locais por justiça. Compreendem, assim, que a pauta racial é mais imediata em suas lutas, contudo, acolhem a dimensão ambiental em suas histórias de vida. Citam casos de racismo ambiental, percebem a água como elemento vital em seus cotidianos e reconhecem o valor da educação nos processos de construção de políticas públicas mais justas e inclusivas. Neste contexto, a pesquisa evidencia a acuidade dos processos de formação em diversas audiências, meios e âmbitos, consolidando a tese de que a invisibilidade climática carece de mais vivências na educação ambiental, que consigam denunciar que os desastres climáticos acometerão os grupos em situação de vulnerabilidade com mais gravidade.


Palavras-chave


Educação Ambiental. Mulheres Negras. Justiça Climática.

Referências


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