Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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INJUSTIÇA AMBIENTAL E CLIMÁTICA: REFLEXÕES DE UM PROCESSO FORMATIVO ESCOLAR COMUNITÁRIO
Jakeline Modesta Almeida Fachin, Regina Silva, Débora Eriléia Pedrotti Mansilla

Última alteração: 07-10-18

Resumo


Esta pesquisa buscou identificar os principais conflitos e injustiças socioambientais vivenciados pelos/as moradores/as da Comunidade do Chumbo, uma comunidade quilombola do município de Poconé, Mato Grosso. Como também, buscou compreender como os/as educadores/as da Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida trabalham no contexto escolar esses conflitos socioambientais. A comunidade vem enfrentando vários problemas externos e internos gerados pela expansão do agronegócio na região. Com uma abordagem qualitativa, a proposta metodológica utilizada foi o Mapa Social. Essa é uma metodologia participativa, que por meio das autonarrativas dos grupos sociais envolvidos na pesquisa, oferece possibilidades de mapear identidades, territórios, culturas, conflitos, táticas de resistência, e outros aspectos. A pesquisa na escola teve como inspiração metodológica a sociopoética, que propõe atividades coletivas na produção do conhecimento, em que todos os integrantes se constituem como co-pesquisadores, reconhecendo todas as formas de conhecimento, populares ou acadêmicos, e que abandona a ideia de um pesquisador independente para favorecer a formação de um grupo-pesquisador. Participaram dessa pesquisa os/as educadores/as da escola e moradores da comunidade. Os principais impactos/conflitos socioambientais mapeados foram: uso abusivo de agrotóxicos, desmatamento, disputa por terra, disputa por água e queimadas. Esses têm sido provocados pela obstinação destrutiva em defesa do crescimento econômico, que altera o modo de vida da comunidade e resulta em conflitos socioambientais levando os/as moradores/as a sofrerem com injustiças ambientais. Diante disso, é possível perceber que, apesar de todo o processo de intimidação e ameaças que a comunidade vivencia, a seu modo, tem buscado resistir por meio do fortalecimento e valorização de sua cultura e identidade. A escola desempenha um papel importante nesse processo, pois mesmo tendo um currículo nos moldes das escolas urbanas, percebe-se que os/as educadores/as buscam por meio da realização de projetos educativos, desenvolver atividades que fortaleçam a resistência e a preservação ambiental. Espera-se que os mapeamentos realizados com, pelas/pelos e para as comunidades possam valorizar a identidade social dos grupos e auxiliar os/as educadores/as a organizar possibilidades pedagógicas que auxiliem no enfrentamento dos conflitos, das alterações ambientais, climáticas e das injustiças, na perspectiva de fortalecer a luta e resistência das comunidades, alicerçadas no compromisso social e ambiental pela proteção da vida no Cerrado do Pantanal.


Palavras-chave


Escola; Educação Ambiental; Conflitos Ambientais; Injustiça Ambiental.

Referências


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