Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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AS CRIANÇAS E O SEU RECREIO ESCOLAR: um estudo etnográfico sobre a ludicidade na terceira infância
Moacir Mestre Juliani, Cleomar Ferreira Gomes

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Dentre os rituais escolares, o recreio tornou-se objeto de estudo pela sua singularidade e caráter no qual corre uma possibilidade maior de liberdade e de aparecimento de práticas corporais ligadas à cultura lúdica e ao ócio. Sabe-se que entre as atividades desenvolvidas pelos estudantes no espaço do recreio, as brincadeiras sempre estiveram presentes e marcaram as infâncias de épocas distintas. ARIÈS 1978, BROUGÈRE 1998, CHÂTEAU  1997, ELIAS 1994, FRAGO 1998, BENJAMIN,  2014,  GEERTZ, 1989, KISHIMOTO 2016,   MANSON 2002, MOYLES 2006, PIAGET 1975, SUTTON-SMITH 1986, WINNICOT 1975, foram  alguns teóricos que nos ajudarão a pensar esse tema. As brincadeiras aparecem como formas da cultura de cada época e de possibilidades de relação das crianças com seus pares em diferentes faixas etárias. Sempre que a infância é abordada, seu êthos lúdico é associado na busca pelo seu significado para a criança e suas aprendizagens. O recreio sempre foi concebido como espaço-tempo de repouso, de pausa entre os turnos de trabalho na escola, tempo de lanchar e de atividades de eleição das crianças com/sem a supervisão de seus professores. Mediante estas considerações buscar-se-á responder às questões que seguem: O recreio escolar da atualidade é espaço-tempo de manifestação de cultura e energia lúdica? Que relações são possíveis nele? Estas relações podem ser tão importantes como as de sala de aula? A partir destas interrogações intencionou-se compreender o recreio escolar como espaço-tempo de manifestação da cultura lúdica, bem como as relações que nele ocorrem para além das salas de aula, no seu grau de importância formativa para estudantes que vivenciam a terceira infância. Foi realizada pesquisa de inspiração etnográfica na qual foram observados os estudantes com 11 e 12 anos nos espaços-tempos do recreio de escola pública, escola confessional e escola da rede privada. Constatou-se que ludicidade apresenta-se de forma constante através das atividades configuradas como brincadeiras, jogos, movimentos de oposição, competição, de relações de poder, inclusão, exclusão, singularização de identidades, alteridades e subjetividade, de protagonismos, atração e repulsa, dos corpos que evidenciam sua sensualidade e sexualidade potencializado pela “cumplicidade lúdica”; o espaço-tempo dentro da instituição escolar que apresenta a natureza das relações que mais se aproxima com a realidade vivenciada em casa, na rua, no bairro, na cidade, o que nos permite enfatizar que o mesmo é o “mundo real que se materializa dentro da escola”; é o tempo do acontecimento, mas que ao mesmo tempo apresenta-se ritualizado nas rotinas desenvolvidas pelos estudantes e tão ou mais sagrado que o espaço-tempo da sala de aula; A ludicidade sentida e percebida pelos indivíduos que fazem parte da Instituição Escola ― estudantes, professores, gestores ― é menor que a ludicidade que se desenvolve no contexto do recreio escolar e que enquanto a escola com suas atividades, concepções e proposições para o recreio escolar está situada na “retórica do progresso”, os estudantes estão evidenciando a “retórica do self”, da experiência pessoal.


Palavras-chave


Recreio Escolar. Cultura Lúdica. Relações Infância