Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Ciranda de corpos: noções das crianças acerca das relações de gênero na Educação Infantil
Renata Aparecida Carbone Mizusaki, Cleomar Ferreira Gomes

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Rigorosos têm sidos os esforços de diferentes campos de saberes em aprofundar as discussões e os estudos sobre as crianças e as infâncias, potencializando a audiência de suas experiências como campos profícuos de produção de conhecimentos, rompendo assim com práticas sócio-históricas que as colocaram em uma rede periférica de impotência cultural; interrogam saberes cristalizados ao longo dos tempos de modo a possibilitar uma nova escrita junto com as crianças dos espaços escolares, construídos como alegorias de horizontes possíveis, como recriação de relações de tempos-espaços, saberes. Nesses entre-lugares, as experiências pedagógicas são ressignificadas a partir do alargamento das noções e concepções de eu e de mundo e da relação questionadora entre as crianças e os adultos que convivem nos espaços da Educação Infantil. Um dos eixos dessas experiências são as relações de gênero. Ancorada nos princípios éticos, estéticos e políticos, principalmente, por se tratar, neste tempo de vida, de um momento privilegiado de construção identitária, as relações de gênero são um aspecto de discussão fundamental, tendo em vista a imersão cultural histórica brasileira marcada por uma tradição patriarcal e por relações desiguais entre homens e mulheres em diferentes setores da vida social. As crianças devem ter oportunidades ampliadas e experiências inovadoras vivenciadas em que se sintam motivadas e seguras em intervir cultural e socialmente, a partir de novas perspectivas que superem preconceitos cristalizados historicamente. Nessa direção, esta pesquisa, em andamento, busca compreender os modos pelos quais as crianças constroem experiências de identidades de gênero, em contexto institucional, especialmente durante as brincadeiras e jogos, através de uma leitura de inspiração etnográfica, que utiliza a observação direta, a entrevista semiestruturada de crianças do Pré-II, de uma escola pública de Vilhena-RO, como possibilitadores da interpretação desse fenômeno. Os resultados preliminares apontam para o necessário encontro da escola e da criança na construção de novos caminhos para a equidade de gênero e justiça social.


Palavras-chave


Educação Infantil. Identidades de Gênero. Brincar.

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