Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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O cisgênero pós-humano: reposicionamentos históricos e políticos em discursos de ódio espetacularizados em redes sociais
Lucas Guerra da Silva, Flávio Luiz Tarnovski

Última alteração: 04-10-18

Resumo


Introdução: O cisgênero, categoria inexistente até a discussão discursiva acerca deste estranho, porém, familiar ao transgênero, reinventou sua reafirmação naturalizada existencial nas redes sociais – códigos-território – a partir da construção de discursos-performance que os reposiciona inclusive enquanto maioria e não minoria, como diferentes de seu oposto ilegível e não-afetivamente-significável. Este cisgênero que faz questão de posicionar sua identidade na oposição “de natureza” (biologicista e essencialista) da pessoa trans – ainda que não reivindique a categoria cisgênero para si inclusive por se referir a si próprio como vindo da natureza e não demandando classificação –, portanto, um Eu-transfóbico (Ego-transfóbico), dentro de seu código-território vivencia uma comunidade de corpos estilizados de acordo com a hegemonia daquele fenômeno de bolha, que o distancia de outra pluralidade de fenômenos. Objetivo: Interpretar elementos objetais e vinculares na espetacularização do cisgênero em redes sociais, com vistas a reconhecer seu tecno-habitat estrutural e sua manutenção identitária a partir do modelo do Chthuluceno de Donna Haraway. Metodologia: (1) Contextualização do universo pesquisado: Descrever a plataforma e funcionalidades do Facebook como um tecno-habitat constitutivo de bolhas identificatórias; de produção de conteúdo e clonagem (compartilhamento de conteúdos sem alteração) públicas de estilizações que produzirão afetações e reconhecimentos identitários; (2) Sujeitos de pesquisa e coleta de dados: Captar através de prints os discursos de ódio publicamente espetacularizados pelas pessoas cisgêneras em comentários de matérias jornalísticas que tenham relação com o público trans, em portais com checagem de fatos que publicam no Facebook; (3) Tratamento dos dados: Interpretar a partir de categorias de análise que emergirão ao longo do estudo de que modo elementos presentes em discursos de ódio espetacularizados no oposicionismo ao não-cisgênero (transgênero, ou outras nomenclaturas) revelam estruturas de manutenções identitárias cisgêneras, afetivamente-significáveis, e inclusive desejáveis. Resultados pretendidos: Produzir a reflexão sobre as construções de tecno-habitat do cisgênero do século 21, pós-humano, híbrido de tecnologia e com potencial de “estar sendo” exatamente aquilo que estiliza e torna público para produzir afetações, de modo a evidenciar de que forma tais estruturas se mantém; quem controla seus acessos e as media culturalmente; e se vinculam afetivamente tornando-se legíveis e afetivamente-significáveis, ou não. Os discursos de ódio espetacularizados nas redes sociais – que são espaços legítimos de habitação do século 21, e especialmente de alcance de produção de afetações que mobiliza outros paradigmas de temporalidade de um discurso proferido, que está há um print da eternidade – torna-se um campo de observação, análise e interpretação, que além de impossível ser desconsiderado como constitutivo de identidades em nosso século, corrobora com minha tese ser posicionada na linha de pesquisa em Comunicação e Mediações Culturais.



Palavras-chave


Cisgênero; pós-humanidade; redes sociais