Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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QUINTAIS EM CUIABÁ: PAISAGENS CULTURAIS, SABERES E PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS
Heidy Yilibeth Bello Medina, Yuji Gushiken

Última alteração: 09-10-18

Resumo


A análise da paisagem é cada dia mais relevante para os estudos urbanos. Pensar a cidade desde suas paisagens permite não somente nos remeter à percepção do espaço não somente desde a materialização, mas desde os imaginários que os processos de espacialização produzem nas pessoas. Há na contemporaneidade uma necessidade evidente de pesquisar como a paisagem afeta aos moradores e sua qualidade de vida, mas também em como estes participam da criação da cidade a partir daquilo que Lefebvre ponderou o “direito à cidade”. Iniciativas como a Nova Agenda Urbana, considerada uma extensão da Agenda 2030, aprovada durante a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III), em 2016, tem o intuito de agir a favor de espaços adequados para todos. Pensar um habitat para melhorar a qualidade de vida no cenário urbano exige refletir sobre as afetações dadas a partir da concepção das paisagens das cidades como sustentáveis e as práticas de moradia como ligadas ao desenvolvimento urbano, compreendendo ser necessário levar em consideração as singularidades do sistema paisagístico e a cultura local, neste caso, de cidades de pequeno e médio portes, mas também as cidades na experiência da metropolização. A presente pesquisa pondera a importância de refletir sobre as mediações da paisagem de Cuiabá e as práticas de moradia sustentáveis ligadas à concepção do território como real e simbólico, mas também existencial, como território de desejos. Próxima aos biomas do Pantanal e incrustrada no Cerrado, a cidade tem sido representada por seus recursos naturais e é denominada como “Cidade Verde”. Essa ideia da cidade refere-se à concepção de Dom Aquino Corrêa, que a nomeou através de um poema no início do século XX. O viés da pesquisa é pensar as ambiências e paisagens a partir da memória das pessoas com a arborização da cidade, levando em consideração que as características do hábitat em Cuiabá também têm sido ligadas com os quintais. A existência dos quintais em áreas urbanas de Cuiabá possibilita refletir sobre os espaços privados e públicos que favorecem não somente as pessoas do interior da casa, pois a distribuição de mangas e cajus, por exemplo, que extrapolam a área privada dos quintais e caem nas ruas, são consumidos pelos pedestres que transitam pelo espaço público. Nesse sentido, também a plantação de árvores frutíferas como jambu, acerola, entre outras, nas calçadas funcionam como uma extensão do quintal, o que privilegia a existência de uma paisagem diversa da cidade observada desde a rua. Através da etnografia e o mapeamento, a pesquisa de carácter qualitativa propõe um diálogo interdisciplinar entre comunicação, geografia cultural e antropologia urbana, principalmente, para conhecer como a paisagem comunicada e a paisagem vivida em Cuiabá, na condição como cidade tropical em processo de metropolização, podem ser concebidas como sustentáveis levando em consideração tanto as características do espaço quanto as práticas culturais locais. Tese em desenvolvimento no âmbito do Projeto de Pesquisa “Comunicação e Cidade: Interfaces Interdisciplinares” (Propeq-UFMT) e no Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cidade (Citicom-UFMT).


Palavras-chave


Quintais. Cuiabá. Paisagens culturais. Desenvolvimento sustentável.

Referências