Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Tons de verde: A lógica cultural do consumo sustentável no cotidiano
Fernanda Kleber Curtarelli, Juliana Abonizio

Última alteração: 04-10-18

Resumo


O consumo é um dos pontos centrais da cultura e da sociedade. Atua como representação da cultura contemporânea e da estrutura social. É uma questão cultural e simbólica que define e difunde práticas culturais, modos de ser e de sentir, contrastes, diferenças e semelhanças. Porém, durante muito tempo, o estudo sobre o consumo e suas práticas (como instrumentos sociais que orientam formas de agir e pensar) foi negligenciado. Economistas, psicólogos, ambientalistas, publicitários e marqueteiros tratavam o consumo, cada um ao seu modo, sem prestar muita atenção aos processos sociais convergindo do consumo e para o consumo.  A partir da década de 1990, com o crescimento do consumo das novas classes médias e a criação de novos paradigmas para se pensar o fenômeno, o consumo passou a ser incluído também nos debates sobre a crise ambiental, realçando o impacto do consumo excessivo e seus danos ao meio ambiente. A partir da congregação de, basicamente, três fatores: o ambientalismo público na década de 70, a preocupação com o meio ambiente pelo setor empresarial na década de 80, e a ascensão da preocupação que os estilos de vida e consumo das sociedades afluentes poderiam ocasionar impactos ambientais na década de 90; observamos a emergência do primeiramente chamado consumo verde e posteriormente denominado consumo sustentável. Com isso, o papel e a corresponsabilidade dos indivíduos comuns, em suas tarefas cotidianas, começaram a ser considerados como parte do problema causador da crise ambiental e essas novas formas de consumo como potenciais supressores da crise, além das empresas e do poder público. Diante desse quadro de crescimento e urgência de discussões públicas e políticas internacionais sobre sustentabilidade e considerando dois fatores: 1-a vida cotidiana como dimensão de reprodução e transformação social e 2- a onipresença do consumo na vida cotidiana, meu objetivo é desvendar como se manifesta a ideia de sustentabilidade na vida de todo dia. Para isso, acompanhada pelo aporte teórico da sociologia do cotidiano, sigo no encalço de consumidores que se auto intitulam conscientes, verdes ou sustentáveis. Através de uma abordagem metodológica qualitativa, por meio da realização de entrevistas, investigo e analiso questões relativas às práticas de consumo e sustentabilidade, desvendo como se desenrolam os costumes e hábitos do consumo sustentável no cotidiano, o que inclui as próprias noções de consciência e os dilemas compreendidos no dia a dia. Os dados verificados corroboram que o consumo é um lugar de produção de sentidos e que os bens são necessários para dar visibilidade e estabilidade às categorias da cultura, afinal o consumo é uma prática coletiva que se desenvolve como um sistema simbólico na articulação de coisas e seres humanos e outras espécies.