Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Avaliação das habilidades constitutivas do repertório de leitura e escrita e suas inter-relações na aprendizagem
Victor Hugo de Souza, Julia Zanetti Rocca

Última alteração: 04-10-18

Resumo


Saber ler e escrever é imprescindível para escolarização e para participação efetiva na sociedade. Na ótica analítico comportamental, estes são um tipo específico de comportamento operante que Skinner denominou comportamento verbal. O comportamento verbal está sujeito aos mesmos processos que ocorrem em qualquer relação operante como reforçamento, extinção, operações motivadoras, discriminação, entre outros. Sendo assim, leitura e escrita podem ser ensinadas a partir de contingências de reforço programadas adequadamente para tal. No campo do ensino de leitura e escrita com compreensão e comportamento simbólico, destaca-se o paradigma da equivalência de estímulos, estabelecidos experimentalmente por Sidman e Tailby (1982). A partir do procedimento denominado pareamento com o modelo podem ser ensinadas as relações arbitrárias constitutivas do comportamento simbólico. A leitura e a escrita com compreensão são repertórios complexos aprendidos a partir de habilidades mais básicas que envolvem relações entre estímulos e entre estímulos e respostas que formam classes de equivalência. Algumas dessas habilidades são a seleção de figuras e palavras escritas a partir de estímulos visuais e/ou auditivos, por identidade e por equivalência; nomeação de figuras e palavras escritas; escrita de textos (manualmente ou por composição a partir de letras ou sílabas independentes) evocada por estímulos visuais ou auditivos; que podem ser aprendidas separadamente. Para uma leitura competente, o leitor deve ser capaz de realizar tais atividades de forma integrada. Uma boa avaliação dessas habilidades e dos déficits apresentados pelos estudantes com dificuldades pode ajudar o professor em sua tarefa de planejar contingências eficientes de ensino. Para isso foi desenvolvida a Avaliação da Rede de Leitura e Escrita – ARLE, por Fonseca (1997). A ARLE é um dos programas que compõem a sistema web chamado Gerenciador de Ensino Individualizado por Computador – GEIC do Laboratório de Estudos do Comportamento Humano (LECH) da UFSCar que oferece suporte para desenvolvimento de programas destinados ao ensino de leitura e escrita para diversas populações. Ela é utilizada como procedimento para estabelecimento de linha de base em pesquisas e de currículos de ensino de leitura e escrita em diversos programas pelo país. Esta avaliação apresenta tarefas no formato de tentativas discretas aos estudantes que exigem deles as habilidades de 1) seleção de figuras e palavras por identidade; 2) seleção de figuras e palavras por equivalência; 3) seleção de figuras e palavras por estímulos auditivos equivalentes; 4) composição de palavras por meio da cópia; e 5) composição de palavras por meio de ditado. O objetivo deste projeto é investigar como se dá a constituição de um repertório competente para leitura e escrita a partir da meta-análise dados gerados pelas aplicações da ARLE nos últimos cinco anos, em 2388 crianças de 6 e 12 anos, de ambos os sexos. Trata-se de uma pesquisa transversal que busca investigar, a partir da incidência dos erros e acertos dos estudantes na ARLE, em diferentes faixas etárias, o desenvolvimento da leitura e da escrita competentes a partir da integração entre as habilidades em questão.


Palavras-chave


Alfabetização; Equivalência de Estímulos; Análise do Comportamento

Referências


Fonseca, M. L. (1997). Diagnóstico de repertórios de leitura e escrita. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação Especial, Universidade Federal de São Carlos.

 

Sidman, M., & Tailby, W. (1982). Conditional discrimination vs. matching-to-sample: An expansion of the testing paradigm. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 37, 5–22.