Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Saberes, memória, tradição e ruptura nas práticas dos ribeirinhos da Ilha do Piraim.
Gina Carlyne Campos Trigueiro

Última alteração: 22-10-18

Resumo


Introdução

Este estudo constitui-se num exercício de interpretação antropológica do modo de vida dos ribeirinhos da Ilha do Piraim frente as imposições das políticas ambientais e das contribuições das políticas públicas, constitui-se em uma pretensão de analisar as praticas em meio a esses processos de mudanças.

Esta pesquisa foi realizada numa comunidade ribeirinha habitantes da Ilha do Piraim, localizada no Pantanal de Barão de Melgaço, Mato Grosso. Foi realizada com um grupo familiar descendente de Maria Pedrosa Alvarenga e Pedro Batista de Amorim, no total são cinco famílias.

No passado desse grupo encontramos um caso típico de pequena produção agrícola camponesa. Havia uma pluriatividade, as tradicionais roças “de mato”, de “praia” e também as hortas. A pesca e a venda do peixe, somada a extração de lenhas para navio a vapor, a venda de peles de animais e eventuais trabalhos nas fazendas, estas eram as suas fontes de renda. Esta pluriatividade veio se perdendo, hoje sobrevivem somente da pesca, tornaram-se pescadores profissionais.

Metodologia

Nesse caminhar propusemos um trabalho etnográfico, utilizando a observação participante buscamos aprofundar nos modos de vida, através das praticas e da memória. Utilizamos de entrevistas, estas foram semi estruturadas e individuais. Através da observação participante e conversas informais acompanhei o dia a dia das famílias. As entrevistas foram gravadas e as conversas anotadas no caderno de campo.

Através das fontes orais busquei resgatar a complexa experiência dessa população. Busquei conhecer a sua historia através dos próprios camponeses.

Resultados

Os resultados que obtivemos ate o momento demonstra que a comunidade da Ilha do Piraim sempre manteve contato com a sociedade urbana através da venda do peixe nas feiras no município de Poconé.

Constatamos também uma a diversificação dos saberes no interior de um mesmo grupo familiar, o que demonstra que esses saberes não são estáticos.

Encontramos a permanecia de praticas de uma tradição camponesa, praticas de reciprocidade, como o uso comum de alguns bens naturais e o “muxirum”, mesmo em meio às mudanças vividas por este grupo.

Outra importante observação realizada foi o impacto da imposição da legislação ambiental nas atividades econômicas e na construção e transmissão dos saberes desse grupo. Esta legislação desorganiza a maneira tradicional de organização desses espaços e deslegitima esses saberes, levando a inúmeras perdas e ao empobrecimento.

Conclusão

Concluímos que há entre esses ribeirinhos um saber que lhes é peculiar, uma espécie de “ciência do concreto”, a partir do conhecimento que possuem da natureza, uma forma particular de conviver com a agua e com a terra. Estabelecem uma relação de reciprocidade com a natureza. Esta população possui características que a diferencia das ditas “sociedades modernas”, pois se pensam como parte da natureza, e não como um individuo racional que domina e explora a natureza. Há uma “luta” constante para permanecer nesse território, o que envolve estratégias e saberes peculiares para este ambiente que é também peculiar.


Palavras-chave


ribeirinhos, saberes, estratégias