Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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QUALIDADE HIGIÊNICO-SANITÁRIA E PERFIL DE SENSIBILIDADE ANTIMICROBIANA DE Escherichia coli EM LEITE E QUEIJO VENDIDOS CLANDESTINAMENTE EM MUNICÍPIOS NORTE MATO-GROSSENSE
Renata Henriques Ragi Pena, Bruno Gomes de Castro, Filipe Freitas

Última alteração: 04-10-18

Resumo


As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) atingem um em cada 10 habitantes anualmente no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e do campo à mesa várias são as possibilidades do alimento se contaminar. O aumento do consumo de alimentos em locais públicos bem como o consumo de alimentos orgânicos e artesanais são uma tendência da atualidade e caso não sejam utilizadas Boas Práticas de Fabricação (BPF) em toda a cadeia produtiva, podem se tornar um perigo para os consumidores. Produtos como leite e queijo produzidos artesanalmente e comercializados por pequenos produtores são uma realidade no Brasil, onde a comercialização é realizada em feiras livres e em domicílio. Esses produtos lácteos são vendidos mesmo com proibições na legislação, levando, em muitos casos, à produção de alimentos sem condições higiênicas que podem se configurar como uma importante fonte de transmissão de patógenos e, consequentemente, um perigo à saúde pública. A Escherichia coli é um agente de origem intestinal e, além de algumas estirpes possuírem potencial patogênico, sua presença no alimento indica práticas higiênicas inadequadas. Outro fator relevante está relacionado ao crescimento da resistência aos antimicrobianos entre cepas de Escherichia coli. Esse agente causador de DTA pode ser utilizado como um sensor de resistência, uma vez que apresenta diferentes tipos de mecanismos de resistência frente a diferentes classes de antimicrobianos e ainda por ser um agente que não se limita apenas ao animal e ao homem, mas também ao ambiente, incluindo o de manufatura de alimentos. Este trabalho teve por objetivo avaliar a qualidade higiênico-sanitária desses produtos, verificar fenotipicamente a resistência das colônias isoladas frente a antimicrobianos e classificar as enzimas que codificam essa resistência nesses micro-organismos. Foram analisadas 22 amostras de leite e 35 de queijo vendidos clandestinamente provenientes de municípios do médio norte de Mato-Grossense. Todas foram submetidas ao Teste de Número Mais Provável (NMP) para detecção de coliformes totais e termotolerantes, isolamento em Ágar EMB e identificação de Escherichia coli por testes bioquímicos, com posterior realização de Teste de Difusão em Disco para detecção de resistência aos antimicrobianos. Das 57 amostras analisadas, apenas dois queijos apresentaram-se dentro de todos os padrões exigidos pela legislação. Dentre as 22 amostras de leite, 77% apresentaram níveis de coliformes termotolerantes acima do permitido pela legislação e 95% acima dos níveis para coliformes totais e 82% das amostras apresentaram crescimento de Escherichia coli. Dentre os queijos, 65,8% apresentaram valores superiores ao permitido para coliformes termotolerantes e 94,29% para coliformes totais, e 85,71% das amostras apresentaram crescimento de Escherichia coli. Das 201 colônias de Escherichia coli isoladas, todas passaram por testes de resistência a antimicrobianos e apresentaram baixos índices de resistência antimicrobiana. Os isolados provenientes do leite obtiveram o menor índice (87,3%) para Sulfametoxazol+Trimetoprim e Amoxicilina; no queijo, o menor índice (92,9%) foi para Ampicilina e Amoxicilina. Apenas 2,99% das colônias apresentaram multirresistência a drogas. Em relação às enzimas que ocasionam resistência aos β-lactâmicos, foram encontradas cepas classificadas na classe 1 e 2be de Bush e Jacoby, conhecidas como AmpC e ESBL, respectivamente.

 


Palavras-chave


Escherichia coli, alimentos, NMP, antimicrobianos.

Referências


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