Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Tempo e Temporalidade na Política de Currículo Organizado por Ciclos de Formação Humana- Escola Sarã (Cuiabá-MT
Jucilene Oliveira de Moura

Última alteração: 14-10-18

Resumo


Esta pesquisa apresenta um aprofundamento da análise da política de currículo organizado por ciclos de formação humana da rede pública municipal de ensino de Cuiabá-MT, a Escola Sarã no período de 2000 a 2016. Considerando esta política como uma tentativa de ressignificação da organização do tempo escolar, quais significados de tempo estão presentes nessa política? Como se configuram as disputas e os conflitos entre suas diferentes temporalidades? Como os professores, gestores da escola e pais/responsáveis por alunos vivenciam as implicações entre tempo e temporalidade no currículo organizado por ciclos de formação humana? Quais seus desdobramentos para esta política e para o desenvolvimento humano dos estudantes? O objetivo central é compreender as implicações entre tempo e temporalidade na política de currículo organizado por ciclos desta rede de ensino. Em termos teórico-metodológicos, articulamos a abordagem do ciclo de política (BOWE e BALL, 1992; BALL, 2005; BALL, MAGUIRE e BRAUN, 2016) à compreensão da política de currículo como política cultural (LOPES e MACEDO, 2011; MACEDO, 2007; 2012). Também fundamenta-se nos estudos de Pineau (2003); Elias (1998); Arroyo (2004; 2007) para compreender as implicações entre tempo e temporalidade na política curricular. A coleta de dados compõe-se por meio de estudo bibliográfico, análise documental, observação não participante, e pelas vozes de professores, gestores da escola e pais/responsáveis por alunos, coletadas por meio de entrevistas semiestruturadas. Na análise, busca-se compreender e problematizar as implicações entre tempo e temporalidade em uma política de currículo organizado por ciclos de formação humana.  Os dados indicam que o currículo organizado por ciclos de formação humana confronta-se com a lógica da escola seriada buscando suas referências em princípios éticos mais democráticos de igualdade de direitos, com vistas a garantir aos alunos, o conhecimento, respeitando suas especificidades, cada tempo de vida, em seus aspectos temporais, mentais e culturais. A ideia de um tempo linear, universal, etnocêntrico e totalitário confronta-se com as temporalidades diversas existentes nas relações escolares. A política de ciclos se constitui como tentativa de ruptura com a ordem temporal estabelecida nos currículos escolares e como tentativa de assumir os tempos da vida como tempos específicos de cuidados, de socialização, de aprendizagens e educação. Compreende-se que, ao priorizar os ciclos da vida para organizar os tempos da escola, cresce a sensibilidade aos educandos e seus processos de aprendizagem

Palavras-chave


Tempo; Temporalidade; Políticas de Currículo;Ciclos de Formação Humana

Referências


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