Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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RASTROS, DIFERENÇAS DE GÊNERO E INF NCIA: INCURSÕES NAS ESCRITURAS DE CRIANÇAS
Edilma de Souza, Silas Borges Monteiro

Última alteração: 14-10-18

Resumo


Rachar os estratos, rachar as palavras, esse é o convite a esta pesquisa que intenta problematizar as relações das diferenças de gênero que atuam e se atualizam na constituição de si na infância. Assim, na perspectiva da filosofia da diferença, pretendo estabelecer uma produção acerca dos atos de performatividades das diferenças de gênero que se formalizam como modos de subjetivação na vida dos seres infantis e como as crianças reverberam diante desses atos. Nas trilhas do pensamento construído com Nietzsche, Derrida, Deleuze e  Butler, aspira-se problematizar as relações das diferenças de gênero que modela e oprime minorias, no caso da pesquisa, o falogocentrismo. Este um termo cunhado por Jacques Derrida, a referenciar a suposta superioridade masculina, simbolizada no falo. O autor utiliza-se do termo ‘falogocentrismo’ que provém da junção dos termos logocentrismo e o falo. O falogocentrismo denota a dominação masculina em razão de o falo ser sempre aceito como ponto de referência a modos de validação da realidade, concebendo que existe a noção de que pode haver ‘uma verdade do sexo’, como sinaliza Foucault ironicamente - uma verdade-homem. Em busca de desconstruir e subverter essa realidade, em favor da afirmação da vida,  procuro realizar essa pesquisa entre as crianças que frequentam o quinto ano da educação básica, com a intenção de ouvi-las e registrar seus anseios e pensamentos naquilo que toca às diferenças de gênero, problematizando a oposição binária entre homem versus mulher. Para tanto, pretendo fazer uso do método otobiografico, o qual possibilitará trazer à cena as vivências infantis no sentido de visibilizar suas falas, focalizando o processo investigativo em torno da seguinte questão: Que discursos de performatividades de gêneros atuam na constituição das subjetividades infantis e como as crianças reverberam diante desses atos? Por meio do método da Otobiografia tenho a intenção de me colocar entre o local investigado, pois esse método visa acompanhar um processo e não representar um objeto. Como metodologia farei uso de oficina de Escrileituras, como estratégia metodológica para realizar oficinas, visando encontrar os escritos das crianças como parte da tessitura da investigação. A oficina de Escrileitura, como metodologia, é uma proposta vazada no plano de imanência do pensamento (deste mundo) e pretensiosamente alargada na possibilidade da invenção de outros fazeres. Esta possibilita a reflexão do pesquisador em seu ato de pesquisar e é um poderoso instrumento de autocriação durante todo o processo investigatório. Intenta-se com essa pesquisa observar gestos de desconstrução dos atos de performatividades que formalizam verdades naturalizadas e, assim, abrir novas narrações da vida, a vida como poiésis, nesse caso, a vida infantil como potência criadora e enigma que nos olha cara a cara e nos tomba a cada novo encontro.

Palavras-chave


Diferenças de gêneros; Constituição de si; Infância; Performatividade; Otobiografia