Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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EFEITOS DO VENENO DE Rhinella marina EM ENSAIOS in vitro E in silico COMO POTENCIAIS ALVOS ANTIMALÁRICOS
Felipe Finger Banfi, Amanda Luisa da Fonseca, Renata Rachide Nunes, Domingos de Jesus Rodrigues, Gerardo Magela Vieira Júnior, Fernando de Pilla Varotti, Bruno Antonio Marinho Sanchez

Última alteração: 05-10-18

Resumo


A resistência do plasmódio aos principais antimaláricos é considerada o maior problema no controle da doença, o que demonstra urgência na busca de novos regimes terapêuticos. A biodiversidade brasileira favorece a pesquisa de novas substâncias, onde o reino animal tem se mostrado uma fonte promissora de compostos bioativos. Assim, foram realizados ensaios in vitro e in silico objetivando avaliar o potencial antimalárico e citotóxico, triar novos alvos moleculares através da ancoragem molecular e avaliar as propriedades de substâncias isoladas do veneno de sapos Rhinella marina (Bufonidae) da Amazônia Meridional, estado de Mato Grosso, para o possível desenvolvimento de novos fármacos para a terapêutica da malária. Para obtenção das substâncias, as amostras de veneno extraídas por compressão manual das glândulas paratoides de Rhinella marina, capturados pela equipe de biólogos da UFMT Sinop (D. J. Rodrigues – IBAMA, SISBIO 30034-1), foram secas em dessecador com sílica e trituradas com pistilo em almofariz, extraídas em ultrassom com metanol 100% por 10 minutos, filtradas com papel filtro e secas em evaporador rotativo. Posteriormente, por métodos cromatográficos, foram obtidas 4 substâncias identificadas por Ressonância Magnética Nuclear (RMN): CRV-28 (dehidrobufotenina), CRV-6-28-51 (marinobufotoxina), MB-1 (marinobufagina) e MB-3 (bufalina). O potencial antimalárico in vitro das substâncias foi avaliado na fase eritrocitária de cepa P. falciparum resistente à cloroquina (W2). Tal cepa foi mantida em cultivo contínuo e as parasitemias analisadas pelo microteste tradicional. A atividade citotóxica foi determinada através de ensaios in vitro em linhagem celular WI-26AV4, utilizando o ensaio MTT. A inibição do crescimento de 50% dos parasitos (IC50) e a concentração letal para as linhagens celulares (LC50) foram obtidos através de curvas dose-resposta. O índice de seletividade (IS) foi obtido através da razão entre o valor de LC50 e IC50. Das substâncias testadas, todas apresentaram atividade antimalárica in vitro contra cepas W2 (IC50 entre 1,33 e 3,88 μg/mL – valor de referência: < 5 μg/mL). No ensaio de citotoxicidade, apenas a substância CRV-28 foi seletiva para o parasito (LC50 elevado e IS > 10). As demais moléculas demonstraram-se tóxicas (LC50 baixo e IS < 10). Nos ensaios in silico, observou-se que as substâncias CRV-28, MB-1 e MB-3 apresentaram boa absorção e permeabilidade e eram ausentes de características toxicológicas, apresentando condições adequadas para protótipos de fármacos orais. Com os ensaios de ancoragem molecular (docking), dos 35 alvos da plataforma Brazilian Malaria Molecular Targets (BRAMMT), 10 apresentaram bons índices de interação com as substâncias testadas, podendo ser utilizados para estudos posteriores.


Palavras-chave


antimaláricos; bufadienolídeos; docking