Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Quilombo Abolição: Identidade e Diferença
Cleia Batista da Silva Melo

Última alteração: 03-09-19

Resumo


Este trabalho tem o objetivo de investigar o processo de construção da identidade e as diferenças existentes na Comunidade Quilombola de Abolição localizada às margens da BR 364, a cerca de 60 km de Cuiabá, que reúne aproximadamente 18 famílias remanescentes, além de outras famílias que não fazem parte dessa ancestralidade, porém habitam o mesmo espaço territorial. Segundo estudos realizados pelo INCRA, a comunidade Abolição tem sua principal referência na fazenda Abolição que marca a história desta região, onde o negro escravizado se faz presente desde 1871 (FERREIRA, 2015). O período em que passei por aquela comunidade, observei conflitos identitários entre os moradores, principalmente relacionados à negação ou ao pertencimento daquela ancestralidade. Desta maneira, será que podemos pensar em uma identidade preservada mesmo com toda diversidade e com todo conflito que envolve o processo identitário da população brasileira? Refletir sobre essas identidades, que muitos autores trazem como construções sociais e simbólicas, faz com que pensemos as diferenças e a segregação, como chama a atenção Stuart Hall (2003). Ao realizar algumas leituras e analisar essa Comunidade lancei um olhar crítico sobre o meu objeto de pesquisa, em que o micro precisa dialogar com o macro, e o sujeito precisa relacionar com o objeto, pois a história tem como objeto a própria história, passando de narração dos fatos para análise dos fatos, como reflete Koselleck (2006). Assim, para compreender o conflito existente naquela comunidade, é necessário conhecer sua história, desde os primeiros registros de ocupação daquele território até os dias atuais, para, depois, refletirmos sobre a identidade daqueles que se identificam como remanescentes quilombolas, e as diferenças pré-estabelecidas por aqueles que negam esse pertencimento. Algumas pessoas da comunidade dizem e afirmam com veemência serem pertencentes àquela ancestralidade que ali viveu e construiu um espaço de símbolos, representações e história. Ao mesmo tempo e com a mesma intensidade outros se negam e não se reconhecem pertencentes àquela identidade. Neste sentido, poder-se-á dizer que essa ambivalência gera conflito. De um lado aqueles que se afirmam como quilombolas, e a partir dessa afirmação devem ter seus interesses, sejam individuais ou coletivos; e do outro, os que se negam, que também têm seus interesses e motivos para essa negação. Para refletir sobre isso, serão utilizados teóricos como Stuart Hall (2003) e Koselleck (2006), que problematizam, respectivamente, questões em torno da identidade e do saber historiográfico.

 

Palavras – Chave: Identidade, diferenças, remanescentes quilombolas, conflito, ancestralidade, história.

 


Palavras-chave


Identidade, diferenças, remanescentes quilombolas, conflito, ancestralidade, história.

Referências


ARENDT, Hannah. O Conceito de História – Antigo e Moderno. In: Entre o passado e o futuro. 6.ed. São Paulo: Perspectiva, 2009.

 

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GINZBURG, Carlo. Relações de Força. História, Retórica, Prova.  São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

FERREIRA, Augusta Eulália. Educação Escolar Quilombola: Uma perspectiva identitária a partir da Escola Estadual Maria de Arruda Muller. Cuiabá, PPGE- UFMT, 2015

HALL, Stuart. Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

 

KOSELLECK, Reinhardt. Futuro Passado: Contribuição a semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Editora PUC-Rio, 2006.

 

RICOEUR, Paul. História e Verdade. Rio de Janeiro: Editora Forense, 1968.