Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Mapeamento dos saberes populares associados ao fogo nas comunidades rurais de São Jerônimo (Cuiabá/MT) e Água Fria (Chapada dos Guimarães/MT): percepções sobre o bem-viver e as mudanças climáticas.
Flavia Lopes Bertier, Regina Aparecida da Silva, Giseli Dalla Nora

Última alteração: 14-10-18

Resumo


As mudanças climáticas afetam o planeta como um todo, mas são mais fortemente sentidas nos grupos sociais vulneráveis, pois estes têm menor capacidade de lidar com as alterações por falta de recursos. Quanto mais gases de efeito estufa (GEE) emitidos na atmosfera, piores são os efeitos das mudanças climáticas e mais frequentes seus eventos extremos, como secas e incêndios florestais. O Brasil adota a política do “Fogo Zero” como padrão para a manutenção das áreas protegidas, sem levar em consideração que o Cerrado é um ecossistema dependente do fogo, onde este elemento não é considerado um distúrbio, mas fator imprescindível para a manutenção de seus processos ecológicos. A exclusão do fogo em unidades de conservação do Cerrado tem-se mostrado uma política ineficiente. Os longos períodos sem queimadas acarretam acúmulo de matéria orgânica em extensas áreas, facilitando a propagação de incêndios de grandes proporções nas épocas secas, que atingem indiscriminadamente tanto vegetações sensíveis ao fogo como aquelas adaptadas a ele, devido à intensidade de suas chamas. Para minimizar tais impactos o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães adotou o Manejo Integrado do Fogo em sua gestão. Este manejo prevê o emprego de pequenas queimas precoces controladas em áreas específicas a fim de reduzir a quantidade de material vegetal combustível em grandes áreas contínuas, produzindo mosaicos sucessionais de vegetação. Para o sucesso desta técnica, é preciso entender como o fogo reage em cada ambiente (ecologia do fogo), seus aspectos socioeconômicos (quem, como, quando e por que usa o fogo) e a exclusão do fogo (técnicas de prevenção e combate a incêndios). O mapeamento dos saberes populares relacionados ao fogo em comunidades rurais lindeiras ao parque pretende desvelar como tais moradores, manejadores tradicionais do fogo, usavam este elemento em seu cotidiano sem impactar a natureza, visto que nela vivem, constroem sua identidade, sua cultura e sua história. O mapeamento e emprego dos saberes tradicionais contribui não só para a conservação da biodiversidade, mas principalmente para a preservação da cultura local e a redução da emissão de GEE. Baseada na educação popular, esta pesquisa pretende comungar a episteme da educação ambiental com a práxis reflexiva, concretizada no fazer e agir das vivências e “com-vivências” com as comunidades escolhidas, sem perder de vista a dimensão axiomática de valores, crenças, ética e olhar político inerentes à educação ambiental. Com a elaboração conjunta deste Mapa Social espera-se construir instrumentos capazes de fortalecer as comunidades e identificar possíveis políticas públicas que reflitam as realidades vividas pelos moradores das comunidades de São Jerônimo (Cuiabá/MT) e Água Fria (Chapada dos Guimarães/MT).

Palavras-chave


Incêndios florestais; mudanças climáticas; bem-viver