Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Delineando o gênero oral seminário acadêmico
Antônia Cristina Valentim da Luz

Última alteração: 18-10-18

Resumo


Os gêneros textuais estão presentes na educação superior materializados como resumos, resenhas, artigos, relatórios, seminários. Em minha experiência docente no ensino superior público, eu percebi a carência de um trabalho sistemático que contemplasse a oralidade. Esta pesquisa sobre práticas de letramentos acadêmicos que envolvam os gêneros textuais orais propõe-se a apontar alguns traços fronteiriços do gênero oral seminário, propondo um delineamento deste gênero que apresenta fronteiras fluidas e diversificadas a partir de relatos fornecidos por estudantes de dez cursos de bacharelado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá. A hipótese inicial é que o seminário acadêmico seja trabalhado como uma forma de avaliação na maioria dos cursos, assim não é visto como um gênero textual e sim um instrumento de avaliação. Esta pesquisa classifica-se como pesquisa aplicada por analisar os dados coletados à luz de diversas teorias, ou seja, de forma interdisciplinar, buscando compreender como tem sido trabalhado o seminário acadêmico ao investigar as experiências dos graduandos. Dessa forma, pretendo criar inteligibilidades que desnudem suas práticas nos bacharelados, revelando crenças e hegemonias promotoras de desigualdades e injustiças. A metodologia empregada é a pesquisa qualitativa que trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes. Na coleta de dados, por meio de questionário, foi possível identificar concepções diferentes de seminário, é notório que nenhum aluno definiu seminário como gênero textual oral, nem sequer houve a menção da palavra gênero. Os termos mais próximos foram “exposto” e “exposição” que podem ser uma espécie de referência a “exposição oral”. Constatou-se no questionário que o seminário é trabalhado unicamente como ferramenta de avaliação. Em muitos casos, não há orientação para o seminário: os alunos recebem um tema que deve ser trabalhado pelo grupo. A análise preliminar dos dados revelou a hegemonia que propaga o colonialismo linguístico promovendo o inglês como língua franca e o estabelecimento de crenças que impedem a emancipação dos graduandos. Uma crença pouco comentada é a supremacia da escrita sobre a oralidade que pressupõe um trabalho sistemático dos gêneros textuais escritos e, em contrapartida, uma omissão de trabalho dos gêneros textuais orais. Presume-se que o graduando já possua as habilidades de comunicação oral. Alguns têm talento e são autodidatas, outros tiveram experiência no trabalho ou estágio com a prática de seminário, entretanto, a maioria não teve suas habilidades desenvolvidas ao longo do Ensino Fundamental e Médio. Dentre estes últimos, encontramos relatos de experiências vexatórias e traumatizantes por conta de práticas docentes bem distantes de um padrão ético e de respeito aos graduandos. A conseqüência são vozes silenciadas em nossa sociedade.

Palavras-chave: Gênero textual oral. Letramentos. Oralidade. Seminário acadêmico.

 


Palavras-chave


Gênero textual oral; letramentos; oralidade; seminário acadêmico.

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