Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Fronteiras entre ciência e ficção no limiar da modernidade
Luis Claudio dos Santos Bonfm

Última alteração: 22-11-18

Resumo


O sentido da relação entre ciência e ficção ainda causa estranheza. O efeito das obras de ficção científica, mesmo aquelas escritas lá na primeira metade do século XX, ainda é capaz de exercer esse efeito de alteridade que nos desloca para um mundo imaginário repleto de sentidos para a nossa realidade material. A extrapolação absurda do discurso da instituição da verdade (a ciência) alimenta nosso sentido do absurdo. E estamos a perguntar: como explicar o efeito do gênero da ficção científica sobre a cultura ocidental no limiar da modernidade? Ou sendo prático: como se estabelece a relação de adequação entre uma literatura de ficção científica e o discurso científico que lhe sustenta e qual o efeito sobre o mundo sociocultural? Tratamos com a obra de ficção de Isaac Asimov, propriamente, suas novelas da Fundação: uma trilogia inicial, acrescida de dois volumes de prólogo e dois de continuação. Elas foram escritas durante as décadas de 1950 e 1960, período intitulado como Era de Ouro do gênero nos Estados Unidos. Não por acaso esse momento é marcado como período de um renovado impulso produtivo pós-guerra e a competição tecnológica torna-se ferramenta primeira das disputas geopolíticas. Dai que a Fundação Asimov projete ao futurismo uma ficção da ‘era tecnológica’ quando ciência ficcionais como a psico-história seriam capazes de predizer os comportamentos coletivos e quiça individuais. Quando as fronteiras sobre a mente avançariam a um ponto que o comportamento, as emoções e o desejo pudessem ser reduzidos a equações e através disso o homem pudesse fabricar pensamentos e desejos através de complexos circuitos. Que esse mundo não soê absolutamente ilegítimo é a tarefa de escritores da ficção intimamente ancorados no discurso da ciência. Asimov mesmo teve formação de cientista e publicou diversos livros de divulgação científica sobre os temas que suportavam suas criações ficcionais. Nossa hipótese é de que a ficção da Era de Ouro representa uma proposição de unidade da cultura com a ciência através do fundamento tecnológico e da verdade científica. Cuja costura criativa entre uma linguagem científica e as estratégias modos de tratamento literários conseguia abrir e adequar a uma cosmogonia científica, sentidos tradicionais dentro da cultura, como do conceito de vida, da noção de presente, do limite planetário etc. Somado-se as formas gerais da cultura de massa a ficção científica pode ser lida como divulgadora ativa de uma suposta nova ciência e de uma nova era.

 



Palavras-chave


Asimov, Fundação, história da ciência

Referências


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