Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Costalimaita ferruginea: mapeamento da ocorrência desse crisomelídeo no Brasil
Diego Campos Vasconcelos, Janaína De Nadai Corassa, Evaldo Martins Pires

Última alteração: 15-10-18

Resumo


O Brasil possui 7,84 milhões de hectares de plantios florestais, o que gera mais de 3 milhões de empregos, direta e indiretamente. A eucaliptocultura se destaca por representar a maior parcela dessa atividade com área de 5,7 milhões de hectares. Assim como em toda monocultura, em plantios de eucalipto não é diferente, essas áreas se caracterizam pelo ecossistema homogêneo o que favorece a colonização de insetos-praga que causam consideráveis prejuízos às indústrias que dependem dessa matéria prima. O besouro desfolhador Costalimaita ferruginea, popularmente conhecido como “besouro-amarelo-do-eucalipto” pode ser considerado um dos mais importantes desfolhadores dessa planta. Apenas a fase adulta ataca plantios florestais que promove o rendilhamento das folhas e como consequência a redução da área foliar e da atividade fotossintética, o que atrasa ou reduz o crescimento das plantas prejudicando a produção madeireira e de celulose. Em alguns estados, esse chrysomelídeo pode ser considerado a principal praga desfolhadora. Esforços para se conhecer os locais e os períodos de ocorrência desse inseto no território nacional tem sido empregado para que, profissionais da proteção florestal consigam desenvolver medidas de controle preventivo que possam auxiliar nos planos e projetos de combate ao “besouro-amarelo-do-eucalipto”. O objetivo desse trabalho foi relatar a ocorrência de C. ferruginea baseado no levantamento de dados através da consulta bibliográfica em teses e dissertações, de acervos de coleções entomológicas e de artigos científicos publicados em periódicos especializados. Foram consultados museus e coleções entomológicas de todas as cinco regiões brasileiras e, também, consulta ao acervo digital do website GBIF (Global Biodiversity Information Facility). Para dados obtidos sem coordenadas geográficas descritas, atribuiu-se as coordenadas centrais dos municípios de relato, de acordo com a base cartográfica nacional do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mapeamento foi realizado utilizando o software ArcGis 10.3. Foram obtidos 268 relatos de ocorrência dessa praga, distribuídos espacialmente em quase todo território nacional, sendo que 180 ocorrências foram advindas do acervo digital do GBIF; 57 ocorrências depositadas em museus e 31 ocorrências relatadas em artigos e resumos científicos. Das 268 informações levantadas, apenas 30 possuem dados completos com coordenadas geográficas cadastradas, sendo 18 advindas das informações contidas na literatura científica (artigos, teses e dissertações), 10 pelo GBIF e apenas duas em espécimes depositados em coleções entomológicas. Os resultados preliminares demonstram que o besouro-amarelo-do-eucalipto já se encontra relatado em quase todos os estados da federação, excluindo-se então o Distrito Federal, o Estado de Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe. O presente estudo também verificou a carência em dados completos de ocorrência desse inseto-praga, logo indica-se aos relatores futuros que coletem e publiquem as coordenadas geográficas dos locais de ataque, uma vez que uma futura modelagem da distribuição geográfica do Costalimaita ferruginea auxiliaria em seu controle de modo a facilitar o planejamento de combate utilizando de técnicas de agricultura de precisão, atuando exatamente onde o inseto se encontra.


Palavras-chave


besouro amarelo; distribuição geográfica; praga florestal