Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Diversidade de Oecomys Thomas, 1906
Juliane Saldanha da Silva

Última alteração: 25-10-18

Resumo


O gênero Oecomys possui ampla distribuição na região Amazônica, apesar disso, existe grande dificuldade em reconhecer limites e distribuição de espécies em regiões mais específicas como na bacia do Tapajós. O gênero é um dos mais diversificados da tribo Oryzomyini, compreendendo 18 espécies válidas. Entretanto, no recente estudo sistemático de Oecomys foram reconhecidas sete linhagens que correspondem a espécies válidas, três espécies ainda não descritas e cinco complexos de espécies. Entre estes complexos está O. catherinae, constituído por cinco linhagens das quais apenas uma considerada válida atualmente. No primeiro capitulo investigamos a diversidade genética de Oecomys na bacia do rio Tapajós e a atuação de rios como barreiras para algumas espécies ou populações deste gênero, com base em análises filogenéticas com o marcador nuclear íntron 7 β-fibrinogênio e mitocondrial Citocromo b, este último também utilizado para analises populacionais. As relações filogenéticas recuperaram a presença das espécies Oecomys aff. catherinae, O. catherinae, O. paricola, O. roberti e O. tapajinus e um grupo de espécies O. bicolor/cleberi na região do Tapajós. A rede de haplótipos do grupo O. bicolor/cleberi revelou que haplótipos de O. bicolor ocorrem somente na margem direita do rio Tapajós, enquanto haplótipos de O. cleberi estão presentes na margem esquerda dos rios Tapajós, Juruena e interflúvio Teles Pires-Juruena. Já a rede de haplótipos de O. paricola revelou o compartilhamento de haplótipo entre indivíduos de margens opostas do rio Teles Pires, rejeitando a hipótese deste rio constituir uma barreira efetiva. Nossos resultados apontam alta diversidade de espécies de Oecomys na região do Tapajós, com a ocorrência de sete espécies, e a simpatria entre espécies de tamanho corporal médio. A distribuição espacial dos haplótipos de Oecomys na bacia do rio Tapajós apontam que este pode moldar a distribuição geográfica de pequenos roedores na região, com exceção de O. paricola presente no rio Teles Pires. O segundo capitulo tem como objetivo definir as relações filogenéticas de linhagens evolutivas dentro do complexo O. catherinae utilizando sequências de DNA mitocondrial (Citocromo b) e fragmentos de DNA associados a sítios de restrição produzidos pela técnica de RADseq, a fim de inferir a diversidade e possíveis eventos de diversificação que atuaram no grupo. Amostras de tecidos serão parcialmente obtidas em campo durante uma expedição de coleta à localidade estratégica de Aripuanã-MT, onde duas linhagens distintas do complexo foram registradas. No entanto, a maioria das amostras será obtida da coleção de tecidos UFMT e de colaboradores do projeto. Para a coleta em campo serão empregadas armadilhas de queda e de contenção viva. Análises filogenéticas moleculares de Máxima Verossimilhança e Inferência Bayesiana serão realizadas com o gene Citocromo b e fragmentos de DNA obtidos pela técnica de RADseq. O tempo de divergência entre as linhagens será estimado por datação molecular e a delimitação de espécies pelo método GMYC. As espécies reconhecidas serão caracterizadas e descritas, ou redescritas, com base em análise morfológica externa e crânio-dentária e análise morfométrica crânio-dentária de exemplares depositados na Coleção Zoológica da UFMT e em outras instituições nacionais.


Palavras-chave


Filogenia, Linhagens evolutivas, Taxonomia