Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Necessidade Antropofágica da Literatura
Pedro Henrique Nunes Garay

Última alteração: 18-10-18

Resumo


Este trabalho tem como objetivo apresentar os processos pelos quais ocorreu a institucionalização da narrativa, desde as formas mais antigas de ficção oral, em Literatura, nascida de uma necessidade psicogênica do homem. Para tanto, utilizo o conceito de inconsciente coletivo de Carl Jung, a quem existem imagens arquetípicas invariáveis às civilizações, o que sinaliza olhar para a ficção como tendência universal, anterior ao inconsciente individual de Freud; utilizo, igualmente, o conceito mal-de-arquivo, de Jacques Derrida, no qual o filósofo aborda como o esquecimento e penhor ajudaram a formar o conceito de tradição literária. Ao tomar a ficção como necessidade sine qua non, aproximo-a da prática ritualística, cujo sistema de gestos e organização revela semelhanças com a literatura, como quando o receptor tem a sua performance de leitura pré-definida pela estrutura do texto: a leitura de um poema é diferente do contato com um texto em prosa. Além do mais, aproximo a literatura da antropofagia, atividade tribal metaforizada em manifestações artísticas do cenário cultural no início do século XX, sobretudo na escrita do Manifesto Antropofágico, por Oswald de Andrade, uma das matrizes do modernismo literário brasileiro. Por meio da antropofagia, chego, afinal, à concepção de intertextualidade, de Julia Kristeva, para apresentar a literatura como fenômeno autotélico.

Palvras-chave: necessidade; literatura; inconsciente coletivo; mal-de-arquivo; ritual; antropofagia; intertextualidade.