Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Diversidade beta de aves no nordeste do Pantanal Mato Grossense: efeitos da vegetação e da inundação
Filipe Ferreira de Deus

Última alteração: 25-10-18

Resumo


No Pantanal Mato Grossense, a heterogeneidade de habitats é resultado da dinâmica das inundações e das características da vegetação. O turnover e a riqueza de espécies de aves respondem a essas forças, pois, afetam as condições de nidificação e a disponibilidade de recursos alimentares. Este estudo foi realizado no nordeste do Pantanal Mato Grossense, em dois tipos de habitats dominantes, cerrado e floresta, durante dois ciclos anuais (julho de 2014 a julho de 2016). Três foram os objetivos desse estudo: 1. avaliar a estrutura trófica das aves; 2. avaliar os padrões de diversidade de espécies (diversidade β); e 3. verificar se esses padrões são influenciados por mudanças sazonais do regime de inundação e / ou pelas características da vegetação. Dados sobre a composição e abundância das espécies de aves foram obtidos utilizando redes de neblina, e as espécies amostradas foram identificadas e agrupadas em guildas, de acordo com a literatura. As espécies insetívoras e onívoras constituíram as guildas predominantes. A comunidade de aves amostrada apresentou elevada dissimilaridade, com um índice de Jaccard de 0,86, sendo atribuídos 86% ao turnover de espécies e 14% ao aninhamento de espécies. Essa alta dissimilaridade reflete o número reduzido de espécies compartilhadas, principalmente, entre algumas áreas de cerrado e floresta (12%). As análises demonstraram que o turnover de espécies foi explicado, acentuadamente, pelas características do habitat, em especial pelas diferenças na estrutura e composição da vegetação. A sazonalidade das cheias também foi um fator determinante na variabilidade espacial da comunidade de aves, pois, as dissimilaridades na composição de espécies aumentaram da fase terrestre para a fase aquática, com a fase aquática sendo a mais dissimilar. Estas informações contribuem para a compreensão de padrões de distribuição e padrões comportamentais das aves em ambientes sujeitos a alterações sazonais.


Palavras-chave


Comunidade de aves, dissimilaridade, estrutura da vegetação