Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Padrão de diversidade beta de macrófitas aquáticas do Pantanal de Mato Grosso
ULLY Mattilde Pozzobom Costa

Última alteração: 25-10-18

Resumo


Diversidade beta é a medida de variação da composição de espécies ao longo do tempo e do espaço. Para explicar essa diversidade, recentemente foi proposto o particionamento da mesma em contributions of individual species (SCBD) que indica a importância de cada espécie para a diversidade, e contribution of individual sampling units (LCBD) que indica o quanto de singularidade ecológica existe de um local para o outro. Desta forma, o objetivo deste estudo foi analisar o padrão de diversidade beta das macrófitas aquáticas do Pantanal Matogrossense, a contribuição das espécies e dos locais para este padrão. Coletamos em 49 lagoas distribuídas ao longo do rio Cuiabá, região de Barão de Melgaço e Santo Antônio do Leveger – MT, no período de seca (agosto a outubro de 2017). Para contabilizar a presença e ausência das espécies, realizamos uma pesquisa visual, percorrendo cada lagoa a pé ou com o auxílio de um barco com velocidade constante, dependendo da profundidade local. Caso não fossem registradas novas ocorrências, as buscas cessariam após 40 minutos. Foram avaliadas as características físico-químicas da água (ex. transparência, pH, sólidos dissolvidos, nutrientes) e nutrientes do sedimento (ex. fósforo total, nitrogênio total, matéria orgânica). Calculamos o valor de diversidade beta total (DBtotal) e a partição de SCBD e LCBD. Uma regressão foi utilizada para a riqueza de espécies e LCBD, e entre as variáveis ambientais relacionadas. Encontramos 121 espécies, distribuídas em 39 famílias para os locais amostrados. A riqueza variou de 3 a 28 espécies por local. Para a assembleia de macrófitas aquáticas o valor DBtotal foi de 0,640. A contribuição individual da espécie (SCBD) variou entre 0,039 a 0,001 e as espécies que mais contribuíram para a diversidade beta total foram Pistia stratiotes, Ludwigia helminthorrhiza, Eichhornia crassipes, Azolla filiculoides. A contribuição dos locais (LCBD) para a diversidade beta total variou entre 0,036 a 0,012, os valores mais próximos a 0,036 indicam que esses locais possuem características singulares e que favorece o estabelecimento de alguns grupos ecológicos mais exigentes ambientalmente, como submersas, por exemplo. Os valores de LCBD não teve relação com a riqueza de espécies (R= 0.00; p=0.57). Considerando as variáveis ambientais, apenas transparência (r=0.12 p=0,00) e sólidos totais dissolvidos (r=0.07 p=0.043) foram correlacionadas com a LCBD. A contribuição dos diferentes locais para a diversidade beta é resultado das relações entre a distribuição das espécies e características ambientais locais, dispersão e processos de interação.


Palavras-chave


LCDB, SCBD, Áreas úmidas, Lagoas, Plantas aquáticas

Referências


LEGENDRE, P. & De CÁCERES, M. 2013. Beta diversity as the variance of community data: dissimilarity coefficients and partitioning. Ecology Letters, 16, 951–963.

POTT, V.J.; POTT A. 2000. Plantas Aquáticas do Pantanal. Corumbá, MS, Embrapa: Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal.