Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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O “tormento dos mártires” como discurso emocional nas produções eclesiásticas espanholas do final do século XVI.
Joyce Damaris Augusta Machado

Última alteração: 22-11-18

Resumo


O trabalho a ser apresentado tem como objetivo expor parte da pesquisa de mestrado que está em andamento. O assunto principal gira em torno as produções sobre o martírio. Analisaremos parte do discurso martirológico presente em alguns documentos eclesiásticos produzidos nas últimas décadas do século XVI, na Espanha. As fontes utilizadas são: “Historia Ecclesiastica, y Flores de Santos de España” composta pelo padre frade Iuan de Marieta, da ordem dos Frades Pregadores, no ano de1594; “Historia de la provincia de Aragon de la Orden de Predicadores” escrito pelo frade Francisco Diago, também dominicano, em 1599; “Libro de las Excelencias, y vida de S. Iuan Evangelista” redigido em 1595,por frade Diego de Estella, pertencente a ordem de São Francisco, e, por último, a obra “Segunda parte de los Discursos de la Paciencia Christiana”, composta em 1597, pelo frade Hernando de Çarate, da ordem de Santo Agostinho. Estas fontes são escritos eclesiásticos que, no decorrer dos textos, encontra-se presente um discurso sobre os mártires da Igreja Católica.

Através dos documentos que analisamos, percebemos uma característica predominante nas narrativas martirológicas: a utilização da violência como discurso emocional. O professor Dr. Jens Baumgarten é quem dialoga com a nossa proposta, a qual é uma das hipóteses desta pesquisa. Em seu artigo publicado no livro “Escritas da violência, vol.1: o testemunho”, as produções artísticas da Igreja Católica pós tridentina interpretava a evangelização como uma guerra contra os hereges, e a representação decorrida do mártir era de um vencedor. Segundo Baumgarten, “o excesso de violência transfigura-se na salvação da verdade através da norma e disciplina emocional.” (SELIGMANN-SILVA, Et al. 2012, p.152). Porém, esta afirmação, para o autor, é válida somente para produções artísticas da Igreja Católica, e não para as produções literárias. Uma das propostas deste trabalho é, diferentemente de Baumgarten, demonstrar através de narrativas eclesiástica o excesso de violência como discurso emocional contra os hereges e/ou protestantes. Para tal, a pesquisa segue, no presente momento, coletando os aspectos de emocionalização presente nas obras e distribuindo as informações em “Tabelas de Mártires”.


Palavras-chave


mártires; violência; discurso emocional;