Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Aporte de serapilheira em plantios mistos de eucalipto e acacia na região de transição entre os biomas cerrado e floresta amazônica
Murilo Campos Pereira, Maurel Behling, Eduardo da Silva Matos, Andreia Alves Botin, Jussane Antunes Fogaça dos Santos

Última alteração: 15-10-18

Resumo


Plantios mistos consistem em um sistema de plantio que têm sido estudados como alternativa ao monocultivo do eucalipto, sendo as árvores plantadas em consórcio com leguminosas arbóreas fixadoras de nitrogênio com objetivos de promover a intensificação no uso do solo, acelerar a ciclagem de nutrientes e promover maior produção de biomassa. O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito de dois arranjos de plantio misto de E. urograndis e A. mangium sobre o aporte de serapilheira.

O experimento foi implantado em janeiro de 2015 na área experimental da Embrapa Agrossilvipastoril, Sinop, Mato Grosso. O delineamento experimental foi o de blocos casualizados com 4 repetições, sendo os tratamentos: 1) E. urograndis com aplicação de 120 kg ha-1 de N (100E+N); 2) E. urograndis sem adubação nitrogenada (100E); 3) A. mangium (100A); 4) E. urograndis + A. mangium na densidade 67% E + 33% A (67E:33A); 5) E. urograndis + A. mangium na densidade 50% E + 50% A (50E:50A).

O aporte de serapilheira foi mensurado com a utilização de coletores suspensos (0,25 m²), sendo seis coletores dentro de cada parcela. Quinzenalmente, durante os meses de agosto 2017 a julho de 2018, a serapilheira depositada nos coletores foi retirada e seca em estufa. Posteriormente as amostras foram separadas nas frações folhas, galhos e miscelânea por espécie, no caso dos arranjos mistos, e pesadas. A partir dos valores mensais, foi calculado o aporte total por hectare. As variáveis foram submetidas à análise de variância (ANOVA) e as médias de tratamentos comparadas pelo teste de Tukey (5%).

Diferenças no aporte de serapilheira foram observadas entre os plantios homogêneos e mistos de eucalipto e acácia (p<0,05). Os tratamentos com acácia (100A, 50E:50A e 67E:33A) apresentaram os maiores aportes de 7,94, 7,71 e 6,68 Mg ha-1 de serapilheira, respectivamente. O maior aporte de serapilheira nos plantios mistos se deve principalmente a espécie leguminosa, o aporte por parte das árvores de A. mangium representaram 87% e 77% do total aportado nos tratamentos 50E:50A e 67E:33A, respectivamente. O aporte de serapilheira por parte da A. mangium nos tratamentos mistos eleva a decomposição e ciclagem de nutrientes, principalmente o nitrogênio. As espécies leguminosas aumentam a quantidade de nitrogênio disponível no solo pela fixação simbiótica, onde a serapilheira formada com base nessas plantas possui maiores teores de nitrogênio, o que torna mais rápido o processo de decomposição dos resíduos vegetais, em função da maior disponibilidade de nitrogênio para a atividade microbiana.

Os tratamentos homogêneos de eucalipto (100E e 100E+N) aportaram anualmente apenas 3, 92 e 3,66  Mg ha-1.

A composição da serapilheira aportada foi principalmente da fração folhas em todos os tratamentos, correspondendo a mais de 85% da sua composição. A maior queda de folhas é decorrente do crescimento acelerado das espécies, com altas taxas fotossintéticas conseguidas pela constante renovação foliar.

Em razão do maior aporte de serapilheira e consequentemente de nitrogênio, os consórcios de A. mangium e E. urograndis mostram-se eficazes como alternativa para intensificação no uso do solo e incremento da ciclagem de nutrientes.

Palavras-chave


Acacia mangium, silvicultura, intensificação