Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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TEMPO E TEMPORALIDADE NO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL: EGRESSAS DE PEDAGOGIA
Dejacy de Arruda Abreu

Última alteração: 07-10-18

Resumo


Esta pesquisa integra-se aos estudos educacionais voltados para o campo de formação de professores. Para este estudo, a formação de professores é assumida na perspectiva de desenvolvimento profissional docente. Ao considerar essa compreensão, elegemos como principal objetivo compreender as implicações de tempo e da temporalidade na tessitura e ressignificação da formação profissional de egressos de um curso de Licenciatura em Pedagogia, examinando o seu constituir-se profissionalmente para além do tempo e temporalidades hegemônicas que venham a condicionar seu trabalho. A construção do estudo orienta-se a partir de um grupo de 30 colaboradoras egressas do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso em dois períodos históricos: 2009 e 2013. Em termos teórico-metodológicos, essa pesquisa integra-se aos estudos que se fundamentam na pesquisa qualitativa. Para compor o cenário da pesquisa, realizamos duas entrevistas, sendo uma exploratória de caráter fechado, que possibilitou localizar as quatro turmas egressas desses dois períodos, e outra semiestruturada que se constituiu em composições de relatos de experiências. A pesquisa de campo se articulou dentro de três dimensões: pessoal, formação inicial e profissional, as quais são intercruzadas por múltiplos tempos e temporalidades considerados fios mestres que estão ajudando a constituição da tese. Quanto à composição de relatos das egressas, observamos as suas percepções tanto pessoais, profissionais, quanto sociais em relação ao seu protagonismo formativo. No que refere ao movimento das políticas educacionais, suas implicações nos cenários de reformas/reformulações do curso de Pedagogia em sua historicidade, dialogamos com a abordagem do referencial teórico do ciclo de políticas de Stephen Ball e Richard Bowe (2011; 2006; 1994; 1992). A abordagem foi assumida para contribuir com a análise de modo geral, mas mediante a composição dos relatos de experiência, o tensionamento foi orientado pelo contexto da prática. Optamos por fazer uma análise reflexiva mediante as três dimensões e seus desdobramentos. Nas compreensões dos conceitos múltiplos sobre tempos e temporalidades, nos alicerçamos em Merleau-Ponty (2006, 1999; 1996), Norbert Elias (1998), Pomian (1993), Pineau (2005; 2003, 1998; 1997; 1994), Passos (2003; 2005) Prigrogine (2011; 1988), Patrick Paul (2009), dentre outros. Nesse emaranhado de fios que compreendem a formação humana e profissional docente, dialogamos com as contribuições dos estudos de Garcia (2010; 1998; 1995; 1999; 2009a), Nóvoa (2009b, 2007; 1999; 1995), Zeichener (2013; 2008; 1995, 1993), Day (2005; 2001), Catani (2006), Roldão (2008; 2007; 2005), e, no que se refere aos estudos sobre a Pedagogia, utilizamos os estudos de Gauthier e Tardif (2014) Tardif (2001; 1998), Saviani (2012). Contrariando uma cultura performática, os estudos Pineau (2005; 2003; 2000), quanto ao movimento tripolar de formação apresentam a necessidade da autoformação tecida nos ritmos e biorritmos da vida em um movimento cronoformador. O desdobrar deste estudo incide no movimento de tempos formativos que são tecidos dentro e fora da academia universitária, no sentido de contribuir com a discussão da formação de professores, balizando-se pela concepção da formação permanente.


Palavras-chave


Tempo-temporalidade. Desenvolvimento profissional. Egressas de Pedagogia. Tempos performáticos e formador. Ciclo de Políticas.

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