Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Cronótopo, diálogo e afiguração no romance “Água Viva” de Clarice Lispector
Neiva de Souza Boeno

Última alteração: 18-10-18

Resumo


A escritura de Clarice Lispector é uma escritura multifacetada, inovadora, criativa e transgressora tanto do ponto de vista da estrutura dos gêneros quanto pelo modo de escritura não acadêmica, associada aos modelos tradicionais dos anos 40 a 70. Tal escritura ainda hoje é revolucionária, justamente por seu modo de expressão, modo de dizer, como definimos em outro trabalho: uma "escritura entrelinhar", ou melhor, uma escritura lispectoriana. A obra de Lispector foi traduzida para muitas línguas, como francês, italiano, espanhol, finlandês, alemão e Inglês, e também estudada e analisada sob vários aspectos e pontos de vista da crítica literária: romancista, ensaísta, escritora de literatura infantil, contos, crônicas, entrevistadora, correspondente epistolar, etc. Dessa escritura multiforme, assim configurada, temos delineado para o desenvolvimento da pesquisa a orientação teórico-metodológica dos Estudos da Crítica Textual e dos Estudos Literários, bem como Linguísticos, os quais constituirão os principais capítulos da tese. Essas diretrizes nos permitirão construir uma espécie de arquitetônica histórica e estético-filosófico-literária, de "ler" e interpretar melhor o processo artístico de Lispector e de sua obra, bem como fornecer ao leitor os instrumentos indispensáveis que servirão não só para entender o texto literário, mas acima de tudo, compreender novas chaves de leitura, na direção do conhecimento do corpoescrito (realidade material) da obra literária, pela Crítica Textual, e da "compreensão respondente" de matriz bakhtiniana, que o texto de escritura requer quando é considerado "obra", quando é assinado pelo autor. Pensamos no escopo da Crítica Textual porque se ocupa em observar se o texto sofre modificações ao longo de sua transmissão, não se tratando especificamente de uma restituição à genuinidade “perdida” da obra [tarefa primordial de uma
edição crítica quando se trata de texto corrompido durante seu processo
de transmissão], mas de considerar, em nossa análise, a primeira
forma ou versão publicada, autorizada pela autora, com “suas palavras
próprias” como autora-criadora.

Palavras-chave:

Clarice Lispector. Escritura. Crítica Textual.