Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A RELAÇÃO ENTRE A LINGUAGEM E A MATEMÁTICA
Luciene de Paula, Michael Friedrich Otte

Última alteração: 07-10-18

Resumo


Para a filosofia, até no século XVIII, haviam somente dois paradigmas: ou os objetos assumiam uma perspectiva empirista ou uma idealista. No fim do século XVIII chegou Kant com sua revolução copernicana da filosofia afirmando que “O nosso conhecimento provém de duas fontes fundamentais do espírito, das quais a primeira consiste em receber as representações (a receptividade das impressões) e a segunda é a capacidade de conhecer um objeto mediante estas representações (espontaneidade dos conceitos); pela primeira é-nos dado um objeto; pela segunda é pensado em relação com aquela representação (como simples determinação do espírito). Intuição e conceitos constituem, pois, os elementos de todo o nosso conhecimento, de tal modo que nem conceitos sem intuição que de qualquer modo lhes corresponda, nem uma intuição sem conceitos podem dar um conhecimento” (Kant Crítica da Razão Pura, B74). Portanto, todo conhecimento foi considerado com uma construção do sujeito epistêmico, mas permaneceu de duas maneiras diferentes que Kant chamava de julgamentos analíticos e sintéticos. E meio século depois de Kant, Charles Peirce (1839-1914) interpretou essa complementaridade de conhecimentos sintéticos e analíticos em termos da semiótica indicando que todo conhecimento depende da complementaridade de significados e referências de nossas representações. Surgiu a matemática pura, ou seja, um conhecimento puramente conceitual e analítico que dominava a educação matemática desde a educação infantil até a pesquisa. E também observamos um avanço enorme da matemática aplicada e da tecnologia. O professor e o engenheiro aparecerem com os protagonistas dessa evolução. Por volta de 1905, o famoso matemático Felix Klein (1849-1925) interessou-se pela instrução matemática nas escolas. E ele foi decisivo na criação da Comissão Internacional de Instrução Matemática (International Commission on Mathematical Instruction). Durante o Congresso Internacional de Matemáticos, em Roma, em 1908, Klein foi eleito presidente desta organização, que se tornou fundamentalmente importante na criação da educação matemática como um campo acadêmico de pesquisa e ensino. Nesse sentido, essa pesquisa tem o propósito de viabilizar reflexões acerca da educação matemática e sua evolução histórica. A escola que se deseja, crítica e libertadora, precisa fazer sentido na vida das pessoas, mas, infelizmente, o que tem ocorrido é justamente o oposto. É preciso que a escola se aproxime do interesse e do modo de pensar dos estudantes de hoje, sem se descuidar da formação necessária ao seu desenvolvimento de modo geral. O objetivo dessa pesquisa é investigar, de um ponto de vista epistemológico e semiótico, desde Platão até a modernidade, o que são objetos matemáticos e a qual realidade eles pertencem. Pretende-se evidenciar oscilações nesses significados, os fatores que promoveram tais oscilações, propiciar reflexões dessas oscilações na educação matemática e, finalmente, propor uma definição mais abrangente e significativa capaz de convergir a matemática da vida com a matemática da sala de aula. A ciência se desenvolve em razão da cultura, da política, da economia e, certamente, conduz a mudanças na sociedade. A matemática como propõe a semiótica é dinâmica e há muito a interpretar.


Palavras-chave


Semiótica; Complementaridade, Pierce, Linguagem, Matemática;