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Interpretação de dados aerogeofísicos para identificação de diques máficos na região de Peixoto de Azevedo -MT
Guilherme Mene Ale Primo, Paulo César Correa da Costa

Última alteração: 26-10-18

Resumo


Os diques máficos inseridos no Cráton Amazônico tem sido alvo de muitos estudos, sendo importantes ferramentas para a evolução crustal e possíveis eventos extensionais. No âmbito do estudo geofísico formam geometrias ideias para a modelagem geológica e estudos de inversão, uma vez que apresentam estruturas planares que ocorrem em extensas áreas e são compostos na maioria das vezes por minerais magnéticos. Os diques estudados estão inseridos nas províncias Ventuari-Tapajós (1.95 - 1.8 Ga) e Rio Negro-Juruena (1.8 - 1.55 Ga) do Cráton Amazônico, localizados na porção leste da Província Aurífera Alta Floresta (PAAF) a sudeste da cidade de Peixoto de Azevedo-MT. Em campo cortam rochas graníticas de idade paleoproterozoicas como intrusões verticais a subverticais, em forma de lajedo ou blocos formando cristas alongados. Variam de 5 a 40 metros de espessura e 4 a 32 km de comprimento. São classificados petrograficamente como gabronorito a olivina gabronorito, com granulação media a fina, texturas subofítica, ofítica e intergranular, sendo denominados assim como diabásios. Como minerais opacos e comum a presença de magnetita, hematita, ilmenita e pirita, amos minerais portadores de ferro. Os pontos coletados em campo que representam diques com espessuras maiores de 25 metros, foram interpretados com os dados de magnetometria, sendo possível delimitar as anomalias magnéticas através do gradiente horizontal, gradiente vertical, anomalia do gradiente total e inclinação do sinal analítico, calculados a partir do campo magnético anômalo corrigido do IGRF. A partir do processamento dos dados de magnetometria e pela interpretação dos mapas de anomalias magnéticas, os diques apresentam medidas próximas aos valores observados nos lineamentos regionais, pelo qual ocorrem de forma paralela, alinhados ao azimute médio de 55° e subordinadamente alinhados ao azimute 295°. Para o calculo de profundidade de possíveis fontes magnéticas utilizando o método de Deconvolução de Euler 2D e 3D, foram extraídos 3 perfis paralelos do campo magnético anômalo, alinhados ao azimute 122° e extensão que varia de 12 a 14 km. Os parâmetros utilizados para o calculo das fontes foram baseados na Intensidade do campo magnético de 24236 nT, declinação de -17.76°, inclinação de -8.97°, altura de voo de 100 metros, tamanho de janela de 1 km e índice estrutural 1. Na deconvolução 2D as soluções encontradas variam de 0 a 750 metros de profundidade, marcando de forma significativa estruturas verticais ao longo dos perfis. Tais estruturas são próximas e concordantes com os diques amostrados, bem como estruturas verticais não identificadas ao longo dos perfis. A deconvolução de Euler 3D apresenta soluções que variam aproximadamente de 0 a 1200 metros de profundidade, onde as principais soluções ocorrem em torno de um dique com 40 metros de espessura. Embora as fontes magnéticas sejam consideravelmente rasas, variando assim de 0 a 1200 metros, o ambiente cratônico pelo qual os diques estão inseridos são consideravelmente mais profundos, uma vez que a acresção crustal por parte dos diques máficos ocorre do manto litosférico à superfície. Deste modo as fontes magnéticas obtidas representam apenas uma restrita porcão superficial da região estudada.


Palavras-chave


Aeromagnetometria; Diques Máficos; Cráton Amazônico

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