Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Colonialidade do Poder: um problema oculto na Modernidade Latino Americana.
Rafael Gonçalves de Oliveira

Última alteração: 22-11-18

Resumo


O foco principal da pesquisa concerne a problematização levantada pelo sociólogo peruano Aníbal Quijano, sobre a existência de um fenômeno eurocêntrico oculto na modernidade, caracterizada como um padrão de poder global: a Colonialidad del Poder. Constituindo-se no mundo contemporâneo como um parâmetro sustentador das desigualdades políticas e econômicas entre as sociedades capitalistas no mundo e, internamente na América Latina, através da divisão da sociedade em classes. Como ponto de partida, torna-se necessário a problematização do conceito eurocentrado de modernidade, que dotado de um poder deslumbrante (que envolve conceitos de progresso, tecnologia, status social e discriminação racial), fomenta e oculta opressões e desigualdades nas sociedades da América Latina. A contribuição de Quijano para a presente discussão gira em torno do apontamento da existência de um fenômeno concreto, o qual denominou de colonialidad del poder, um elemento constantemente ocultado na modernidade pela historiografia eurocêntrica, que deixa escapar de nosso entendimento a existência de um fator intrínseco ao descobrimento da América: a imposição de um sistema hierárquico de classificação de populações articulado sobre a ideia de raça. Que, por sua vez, faz a manutenção da desigualdade político/econômico na constituição hierárquica da modernidade, posteriormente desdobrada na globalização capitalista. Para Quijano, a colonialidad del poder e a modernidade funcionam como eixos do padrão mundial de poder capitalista. São duas faces da mesma moeda. Conforme o capitalismo se torna mundial, a colonialidade e a modernidade se instalam estruturando o padrão de poder político e econômico, operando em diversos âmbitos da produção da vida material e subjetiva das sociedades. Através de Quijano podemos entender que, existe uma formulação eurocêntrica entre: a classificação racial forjada no colonialismo e a dominação social exercida pela colonialidade do poder no capitalismo. Isto é, existe um sistema de classificação racial/social que opera no capitalismo globalizado de forma a discriminar os indivíduos e os territórios conforme interesses políticos e econômicos das nações imperialistas. As intervenções políticas e militares da França sobre a Argélia, do Reino Unido sobre Índia e África do Sul, e da CIA e do Pentágono (EUA) em Cuba, Panamá, Chile, Bolívia e outros países da América Latina durante a Guerra Fria, exemplificam bem esse processo. Assim, busca-se compreender que, as elaborações de projetos políticos imperialistas constitutivos da modernidade tiveram uma época e um local de nascimento. Em suma, a colonialidade do poder se expressa atualmente, na América Latina, por meio das imposições políticas e econômicas das nações capitalistas centralizadoras de recursos financeiros, militares e científicos. Para Quijano, entender como funciona a colonialidade do poder é imprescindível para uma compreensão mais ampla e profunda sobre as características atuais dos cenários políticos, econômicos e culturais das sociedades da América Latina, visando à superação de tais formas de dominação social, respeitando a soberania e autodeterminação das sociedades dos países Latino Americanos.

Palavras-chave


Colonialidade do Poder, Modernidade, América Latina.

Referências


QUIJANO, Aníbal. Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. Estudos Avançados, São Paulo, v. 19, n. 55, p. 09-31, 2005a.

______. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005b. p. 107-130.

______. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; Meneses, Maria Paula (Orgs.). Epistemologia do Sul. São Paulo: Cortez, 2009. p. 84-130.