Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Tecnologias da comunicação e dispositivos da sexualidade: Práticas de swing na vinculação social contemporânea
Alfredo José Lopes Costa, Yuji Gushiken

Última alteração: 11-10-18

Resumo


Na perspectiva da comunicação como cultura, neste projeto de tese de doutorado busca-se compreender, em perspectiva interdisciplinar, os processos de vinculação social (Muniz Sodré) e de socialidade (Michel Maffesoli) atualizados tecnologicamente pelas mídias sociais em comunidades de swing (prática de troca de casais). Swing é uma forma de socialidade com origem nos valores então emergentes da contracultura americana da segunda metade do século XX. As socialidades, como formas disruptivas entre dispositivos disciplinares, evidenciam, para além dos vínculos formais, as vinculações que constituem as relações sociais no mundo contemporâneo. Para Foucault, a colocação do sexo em discurso vem fugindo da lógica estrita da reprodução. Segundo Hobsbawn, as revoluções social e cultural influenciaram a emergência da contracultura. As mudanças no comportamento sexual, resultado dos avanços científicos como a pílula anticoncepcional, emergiram de forma radical entre os hippies. Giddens registra o surgimento de modelo de relacionamento sem a obrigatoriedade da exclusividade sexual, ou mesmo ligação específica com a monogamia. As comunicações em rede potencializam as relações sociais orientadas pelos meios comunicativos. McLuhan expõe que não há mensagem sem meio, uma vez que a própria configuração virtual disponibiliza ao sujeito uma diversidade de recursos comunicativos que podem ser reinventados conforme a necessidade e interesse dos grupos sociais. Por meio das práticas midiáticas, relacionamentos se manifestam em sua multiplicidade, o que pode se evidenciar na observação de espaços virtuais de relacionamentos swinger. Di Felice afirma que, por meio dos comunitarismos, ressignificados pelo virtual, a realização dos sujeitos ocorre com mais eficácia. O sujeito se constrói em seu meio, como ator em rede que se movimenta de acordo com as interações que ocorrem a partir da diversidade de sentidos permitidas pelas trocas de informações. Avalia-se que a introdução do swing no comportamento da sociedade constituiu passo significativo para a liberdade dos relacionamentos, otimizada pelos avanços tecnológicos, em especial nos sites de relacionamentos swingers. Este projeto prevê revisão bibliográfica em periódicos científicos, dissertações e teses das áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas, delimitado pelas palavras-chave: sexualidade, socialidade e swing. Serão mapeados mídias virtuais, redes sociais e aplicativos vinculados ao swing, como o CRS, Sexlog, Tinder e Facebook. A pesquisa de campo será realizada por meio de entrevistas em profundidade, aplicadas de maneira individual com casais adeptos. A pesquisa visa produzir reflexões sobre os dispositivos que fazem subjetivar valores, relações de gênero e sobre noções culturalmente estriadas como amor e casamento, presentes na sociedade contemporânea. Serão discutidos os aplicativos disponíveis e os usos que os praticantes fazem das tecnologias digitais para ingressarem e se relacionar com a comunidade swinger. O estudo é desenvolvido no âmbito do Projeto de Pesquisa em Comunicação e Cidade: Interfaces Interdisciplinares, no Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cidade (Citicom-UFMT) e na Linha de Pesquisa em Comunicação e Mediações Culturais do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGECCO-UFMT).


Palavras-chave


Comunicação, tecnologia midiática, sexualidade, socialidade, swing.

Referências


DI FELICE, M. O Comum Digital: as dimensões conectivas e o surgimento de um novo comunitarismo. In: Vida pastoral. Edição Especial - 1º Centenário dos Paulinos, n. 300, 2014. Disponível em: http://www.vidapastoral.com.br/artigos/pastoral-e-comunicacao/o-comum-digital-as-dimensoes-conectivas-e-o-surgimento-de-um-novo-comunitarismo/. Acesso em 01 de agosto de 2018.

FOUCAULT, M. História da Sexualidade – vol. I: A Vontade de Saber. 12ª edição. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

GIDDENS, A. A transformação da intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades. 2ª edição. São Paulo: UNESP, 1993.

HOBSBAWN, E. Era dos extremos: O breve século XX, 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras,1995.

MAFFESOLI, Michel. A contemplação do mundo. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1995.

MAFFESOLI, Michel. A sombra de Dioniso: contribuição a uma sociologia da orgia. Porto Alegre: Zouk, 2005.

McLUHAN, M. Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem. São Paulo: Cultrix, 1979.

SODRÉ, Muniz de A. C. Objeto da comunicação é a vinculação social. Revista Pensamento Comunicacional Latino-Americano, Volume 3 - número 1: outubro / novembro/ dezembro, 2001. Entrevista concedida a Desiré Rabelo.