Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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O campo fala
REBECA REZENDE LUKSCHAL ZANON

Última alteração: 22-10-18

Resumo


O trabalho pretendido era inicialmente voltado para o uso de plantas medicinais pelas famílias tradicionais de Vila Bela da Santíssima Trindade, mas teve caminhos não esperados, como é comum do trabalho etnográfico. Dona Mância e seu Belmon foram o foco dessa etnografia, pois representam os grandes sabedores das plantas, além de serem tradicionais na cidade. Essa fonte foi mencionada por uma professora da área de Antropologia e confirmada pelos nativos quando comecei meu trabalho na cidade. As respostas das pessoas a quem perguntei sobre quem eram aqueles que trabalhavam com plantas medicinais eram unânimes: Dona Mância e seu Belmon, que são irmãos e moram “logo ali, do outro lado da ponte, no bairro aeroporto. ”  Ao me adentrar em suas casas, conhecer seus respectivos cônjuges e participar de uma rotina de conversas, trouxe para a minha casa muitas anotações. Contudo, ao começar o processo de escrita, o fora do campo, percebi o quão pouco eu tinha colhido de material sobre as plantas medicinais. Em contrapartida, o grande montante de histórias narradas sobre a vinda deles para a cidade, sobre as dificuldades de locomoção, sobre os botos revoltos em águas, e sobre um pertencimento ao negro antigo, aquele que foi escravo e que trouxe contigo, da África, o conhecimento sobre plantas era um material rico. Narrativas sobre as brigas entres negros e índios, sobre “índios bravos”, e “índios mais mansos” atualmente, e sobre como tudo isso culminou no momento presente sobressaíam em minhas narrativas etnográficas. Foi aí que, em uma conversa angustiada com meu orientador, na qual afirmei não ter muita “coisa” sobre plantas medicinais, ele disse: É assim mesmo, o campo te deu uma direção, talvez não seja sobre plantas que eles queiram falar, pois forneceram narrativas que possam estar servindo como uma construção e reconstrução de si, das suas práticas e de quem foram e são agora.


Palavras-chave


etnografia; plantas medicinais; narrativas

Referências


PÉTONNET, Colette. Observação flutuante: o exemplo de um cemitério parisiense. Antropolítica, 25: 99-111, 2008.

OLIVEIRA, Roberto Cardoso. “O trabalho do antropólogo: Olhar, ouvir, escrever”. In: O trabalho do antropólogo. Brasília: Paralelo 15; São Paulo: Editora UNESP, 2006, pp. 17-35.