Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Efeitos da dinâmica hidrológica na distribuição espaço-temporal do Ictioplâncton e Mapeamento de áreas de desova na bacia hidrográfica do Alto Rio Paraguai
Tatiane Pires Sousa

Última alteração: 25-10-18

Resumo


As diferentes estratégias de vida dos peixes requerer combinações de fatores ambientais responsáveis por desencadear e determinar seu sucesso reprodutivo. Nesse sentido, é possível determinar o período reprodutivo de espécies migradoras através da distribuição de ovos e larvas ao longo do sistema fluvial. Portanto, objetiva-se identificar as áreas de desova de peixes; mapear a distribuição de ovos e larvas ao longo da região hidrográfica do alto Paraguai (BAP) bem como os fatores ambientais que influenciam nessa distribuição; verificar a diversidade das larvas, a composição de espécies e estrutura espaço-temporal da comunidade de ictioplâncton. Foram coletadas amostras mensais de novembro de 2017 a março de 2018 nas sub-bacias do Alto Rio Paraguai e do Rio Cuiabá. As coletas de ictioplâncton foram realizadas em 11 pontos localizados nos afluentes BAP: rio Formoso, rio Juba, rio Sepotuba (I, II e III), rio Cabaçal (I e II), rio Vermelho, rio Paraguai, rio Jauru e rio Mutum. As coletas foram realizadas com rede cilindro cônica, ao longo da coluna d’água (superfície: margem direita, margem esquerda e centro; fundo: centro), totalizando quatro estratos amostrados com intervalo de seis horas entre as amostragens (18, 0, 6 e 12 horas). Coletamos um total de 8.227 ovos e 3.399 larvas, sendo a média e desvio padrão da densidade total de ovos por 10m3 de 114,06+1097,7 e de larvas 54,42+384,3. A maior densidade de ictioplâncton se deu no mês de novembro (rio Jauru) com 20416,03 ovos/10m3 e 6708,12 larvas/10m3, seguido pelo mês de janeiro com 474,71 ovos/10m3 e 970 larvas/10m3 (rio Formoso). Por outro lado, a menor densidade de ovos e larvas foi observada no mês de março com 183,10 ovos/10m3 e 1,14 larvas/10m3 (rio Sepotuba III). As variáveis abióticas foram reduzidas através da Análise de Componente Principal (PCA) (novembro e dezembro/2017), a qual capturou no primeiro eixo 38.97% (autovalor 3.50) da variação dos dados. A temperatura da água temperatura da água (-0.47), a largura do rio (-0.41), oxigênio dissolvido (-0.36), pH (-0.48) apresentaram relação negativa com o primeiro eixo. O segundo eixo explicou 14.21% da variação (autovalor 1.27), sendo a temperatura da água (0.55), a profundidade (-0.36), a transparência (-0.64), relacionados com este eixo. O terceiro eixo explicou 12.27% da variação total das variáveis ambientais (autovalor 1.10) estando o oxigênio dissolvido (0.49), a condutividade (-0.38) e a turbidez (-0.69) relacionadas ao terceiro eixo. O efeito conjunto destes fatores sobre a densidade de ovos não foi significativo (F=1.402, p>0.05), enquanto que para a densidade de larvas houve efeito significativos das variáveis ambientais (F=3.214, p=0.04). A composição de espécies entre novembro e dezembro de 2017 diferiu entre si (PERMDISP, F=1.99, p<0.05). O período reprodutivo de espécies neotropicais está associado aos fatores ambientais relacionados à história de vida e ao sucesso reprodutivo da próxima geração. Nesse sentido, a densidade de ictioplâncton obtida nos resultados parciais corresponde ao período reprodutivo de espécies migratórias, que ocorre entre a primavera e o verão (auge entre novembro e janeiro). Portanto, o comportamento reprodutivo dos peixes é resultado do padrão hidrológico e dinâmica destes sistemas aquáticos.


Palavras-chave


taxocenose; ecologia; reprodução, ictioplâncton, peixes migradores

Referências