Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Assistência estudantil, dominação e emancipação em debate: o contexto da UFMS, Câmpus de Coxim.
Dário Vaneli Junior

Última alteração: 20-10-18

Resumo


Este estudo tem como objeto de pesquisa a política de assistência estudantil, materializada pelo Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), com o objetivo de analisá-la, a partir do discurso dos beneficiários. Apresenta como recorte o câmpus de Coxim (CPCX) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ressaltando que essa é uma política voltada para as Instituições Federais de Ensino (IFEs). Tem como questionamento central, entender se ela serve mais à domesticação ou à conscientização e libertação dos assistidos, tomando como base algumas obras de Paulo Freire e outros autores que contribuem na elucidação do contexto da educação e do mundo atual. O método de pesquisa é em uma perspectiva dialética, a partir de Karl Marx e de autores que fazem uma releitura dessa abordagem, que lê os fenômenos de forma concreta e histórica. Assim, permite a elucidação do real com objetividade, no diálogo, em interação com o pesquisador, que nega a neutralidade, mas com rigor teórico e na busca da captação da essência em detrimento da aparência.  A escolha do tema justifica-se pela atuação profissional do autor como técnico administrativo no CPCX, que a partir dessa vivência percebeu lacunas e limitações na elaboração, gestão, operacionalização e avaliação da política, principalmente no tocante aos câmpus das cidades do interior do Estado, pois cada um tem sua realidade e sujeitos com necessidades particulares. Nessa perspectiva denomina-se a pesquisa como do tipo qualitativa, partindo de uma revisão bibliográfica sobre o tema e, dispondo como principal fonte de dados a entrevista semiestruturada com os acadêmicos beneficiários das duas principais ações de assistência estudantil existentes no CPCX: o auxílio permanência e o auxílio alimentação. O referencial teórico visa uma educação como prática da liberdade, um Estado voltado ao atendimento das necessidades da maioria e uma universidade popular e dialética, com a concepção de ser humano dialógico, centrado na resolução dos problemas de seu tempo, que cuida de si, do outro e do planeta em que vive. A partir da voz dos sujeitos de pesquisa, os acadêmicos beneficiários, em diálogo com as bibliografias, evidencia-se, de início, a ausência de participação deles, bem como dos professores, na elaboração, gestão e avaliação da política na instituição, o que a torna burocrática, verticalizada e em uma perspectiva de doação. Por outro lado, constatam-se momentos de conscientização e participação estanques, o que indica a necessidade de torná-la mais flexível e democrática, evitando que favoreça a cultura do individualismo, falta de reflexão e competitividade exacerbadas, gera ainda a possibilidade de agradecimento ingênuo e não reflexivo. A assistência estudantil é uma conquista recente das camadas populares (dez anos). Para fortalecer o acesso e a permanência na universidade, aprimorá-la na instituição para que alcance os objetivos propostos na legislação, ou, se necessário resignificá-los, visando uma universidade que seja popular e dialética, com políticas democráticas de construção participativa, fundadas no diálogo, apresenta-se como desafio.

Palavras-chave


assistência estudantil; CPCX; dominação; emancipação.