Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Entre tipos, tintas e prensas a história se faz impressa: considerações sobre o periódico livre-pensador cuiabano A Reacção.
Sandra Miria Figueiredo Sousa

Última alteração: 22-11-18

Resumo


*Sandra Míria Figueiredo Sousa

**Dr. Leny Caselli Anzai

Os periódicos congregaram em si os valores visíveis e invisíveis que o homem moderno procurou desenvolver enquanto marca distintiva do seu passado histórico. Como veículo difusor da modernidade, a imprensa desde seus primórdios revelou seu caráter democrático e reformador. Em Mato Grosso, foi na última década do século XIX e nas primeiras do século XX que a cultura impressa se assumiu como papel de porta-voz dos interesses políticos e sociais. Em duas décadas foram vários jornais em circulação na capital do estado, sem contar as revistas literárias e femininas. Nesse rico universo impresso, o olhar se deteve no período entre 1909-1914, quando mais um jornal se somou aos que já circulavam em Cuiabá, o porta-voz da Liga dos Livres-Pensadores locais, conhecido pelo nome de A Reacção.

A linguagem utilizada pelo periódico livre-pensador A Reacção funcionou como elemento de atração por décadas. Distintos pesquisadores foram enredados por sua forma ácida e direta de divulgar suas ideias. Mordaz, incisiva, irreverente. Capturou e manteve cativo um público que já se encantava por ilustrações, fotografias e imagens. Indubitavelmente, foi a marca distintiva d’A Reacção. Todavia, esse elemento, ao ser cotejado com órgãos similares, brasileiros e europeus, revelou ser essa linguagem comum aos periódicos livres-pensadores no período. Essa linguagem singular surtiu efeito ao expressar o anticlericalismo que permeou a existência desse órgão. Se esse era o objetivo, A Reacção o cumpriu até o encerramento de sua publicação. Há de se destacar, entretanto, que esse anticlericalismo militante perpassou o longo processo de separação entre o Estado e a Igreja em Cuiabá nas primeiras décadas do século XX.. Sem, contudo, se resumir a isso. A luta contra o clero em Cuiabá transparece agudamente nas críticas impressas e nas ações e questionamentos às ordens religiosas que se encontravam no estado. No transcorrer das primeiras décadas do século XX, passou paulatinamente a associar essa rejeição a defesa do regime republicano, do Estado Laico e da secularização das instituições na capital mato-grossense. Observa-se nesse momento um deslocamento das ácidas críticas anticlericais para questionamentos e cobranças do clero em relação à obediência e respeito aos símbolos, às liturgias e à Constituição Republicana. Nesse processo evidenciou-se que o conteúdo cívico que respaldava o novo regime exigiu a substituição da liturgia católica para uma ritualística laica, cívica, republicana.

Tendo-se em vista que a linha que norteou a implantação da Liga dos Livres-Pensadores Cuiabanos e que orientou a publicação d’A Reacção foi a defesa do livre-pensamento em sua vertente anticlerical, se faz necessário compreender o que foi esse movimento e como esses indivíduos reproduziram seu ideário em áreas distantes do seu centro difusor. Diante desse quadro, impõe-se analisar a matriz que nutriu e dotou de significados as representações elaboradas pelos livres-pensadores cuiabanos e divulgadas nas páginas de seu periódico

Palavras-chave


História;história da imprensa;livres-pensadores,Cuiabá