Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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“CADA UM BRINCA COM O QUE QUISER! ISSO AÍ É RACHISMO!”: INFÂNCIA E RELAÇÕES DE GÊNERO NA BRINQUEDOTECA DE UMA INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Sandra Celso de Camargo

Última alteração: 20-10-18

Resumo


A presente pesquisa compõe o grupo de pesquisa “Infância, Juventude e Cultura Contemporânea” (GEIJC), pertencente ao Programa de Pós-graduação em Educação (PPGEdu), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Câmpus de Rondonópolis, Mato Grosso. Os estudos feministas é o campo a partir do qual se constrói esta pesquisa, cujo principal objetivo é analisar as relações de gênero nos modos como crianças e professoras compartilham o ambiente da brinquedoteca e os sentidos que produzem sobre essas relações nas experiências vividas em uma instituição de Educação Infantil. Mais especificamente, são levantadas as seguintes questões: (1) Como meninas e meninas se relacionam no ambiente da brinquedoteca a partir das brincadeiras que elas/es compõem nesse contexto e os sentidos que produzem sobre as relações de gênero que atravessam as experiências compartilhadas? (2) Que sentidos as professoras atribuem às relações de gênero, compartilhadas no ambiente da brinquedoteca, considerando os modos como este é organizado por elas, os objetos que são escolhidos para essa organização e os usos que as crianças fazem desse ambiente e dos objetos em suas brincadeiras? O contexto da pesquisa é um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) do município de Rondonópolis, em Mato Grosso Participam da pesquisa 22 crianças, de 5 anos, do 2º agrupamento do II Ciclo da Educação Infantil, 19 professoras, duas coordenadoras pedagógicas e a diretora da instituição. Sua abordagem metodológica delineia-se como uma pesquisa intervenção. Os conceitos de dialogismo e alteridade, elaborados por Bakhtin, consistem nas referências teórico-metodológicas, uma vez que permitem compreender a produção discursiva nesse contexto, posta em ação por todas as pessoas envolvidas: crianças, professoras e pesquisadora. Além disso, tais referências proporcionam estratégias para a análise dos dados produzidos, no sentido de compreender como, por meio de relações dialógicas, cada pessoa é alterada pela outra no processo de pesquisa. A produção dos dados foi realizada por meio da observação participante das experiências e das relações entre as crianças e de suas interações com a professora na brinquedoteca, cujos acontecimentos são registrados por meio de anotações em diário de campo, fotos, videogravação e audiogravação, e de entrevistas semiestruturadas e rodas de conversa com as professoras, as coordenadoras pedagógicas e a diretora a partir dos registros feitos no decorrer das observações sobre o que é vivido nesse espaço. Como fundamentação teórica, partimos dos estudos de Jobim e Souza, Castro e Farias, como aportes para a compreensão da infância como categoria histórica e social; dos estudos feministas de Butler, Louro, Finco e Scott; das análises de Foucault sobre a sexualidade como dispositivo de poder; e de Haraway e Harding sobre as epistemologias feministas. Observam-se a forte demarcação binária em relação ao gênero nos brinquedos e nas brincadeiras das crianças e a necessidade de o adulto corrigir o que se desvia da norma, encorajando meninas e meninos a gostarem e se interessarem por coisas distintas. As crianças que se rebelam aterrorizam os adultos, assombram as verdades, as normas cristalizadas, forjando outras formas de existência em suas brincadeiras e interações.


Palavras-chave


Infância; Relações de Gênero; Educação Infantil