Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO: INTERSTÍCIOS ENTRE PERMISSÃO E REPRESSÃO
Rafaela Alves Scaramal, Nilvaldo Freitas

Última alteração: 20-10-18

Resumo


Neste trabalho, desenvolvido a partir de projeto de pesquisa de dissertação, pretende-se provocar e problematizar os impasses da relação entre psicanálise e educação. Busca-se também realizar uma análise das posturas que habitam os processos educacionais humanos, sob a ótica da psicanálise. Visa-se aprofundar a investigação e discussão das consequências do excesso de imposições no processo educativo, bem como do excesso de permissões. Para Freud, a repressão em excesso pode gerar neurose, e a permissão em excesso, pode gerar perversão ou até mesmo “delinquentes”, como ele denomina.Freud vê na missão da educação, a dificuldade em seguir os enquadres sociais em detrimento dos movimentos e energias instintuais.Confere ênfase à dinamicidade dos processos presentes neste percurso, que são demarcados por relações como a transferência entre o educador e o educando, o desejo de saber do educando, a educação como sublimação dos impulsos sexuais em alvos socialmente aceitos, a influência da infância do educador (pais ou professores) na postura adotada, entre outros. Estes processos nem sempre permitem ser previstos, planejados, ou padronizados, como se vê em algumas propostas pedagógicas. Decorrente disso, advém a árdua tarefa da educação na busca pela justa medida. A ideia da pesquisa surgiu través de experiências vivenciadas com cotidianos educacionais– escolares, sociais e familiares – onde pôde-se percebe-se excessos e limitações naeducação das crianças. Por um lado, há práticas em que se abusa da autoridade, da repressão, do poder... das relações que estão cada vez mais presas a imposições. Nestas práticas, parece estar se desperdiçando oportunidades de experimentar, de divagar, de criar, inventar, construir... Os adultos que deveriam ser coadjuvantes, assumem audaciosamente o protagonismo. Etnocentricamente, levam em conta apenas as suas visões, os seus desejos e os seus interesses, não permitindo aflorar a sensibilidade de adentrar no verdadeiro e rico mundo das crianças. Nada pode! Discorreu Freud sobre os traços de compulsão ao controle injustificado da criança, característico de toda educação, que se explica pelas necessidades da economia pulsional inconsciente dos pais. A criança e seu desejo não têm vez, quiçá voz! Adultos engendram um plano educacional estruturado, e esperam de todas as crianças os mesmos resultados, conforme “apreenderam” nas profecias desenvolvimentistas.Por outro lado, cresceram teorias que preconizam a concessão de mais liberdade à criança com vistas a impedir o surgimento de angústias e distúrbios, bem como promover a autonomia da categoria infância, que por sua vez é subalterna. Prezam por práticas que prezam pelo permitir, algumas até em demasia. Nessas práticas, todavia, por vezes parece fazer-se necessário um toque de disciplina, uma dose de limite, uma pitada de autoridade. Afinal, cobranças e limites muitas vezes representam o cuidado, que por sua vez é uma demonstração de preocupação, de atenção e, consequentemente, de amor. Diante dessas conjecturas e insurgências, a proposta desta pesquisa é investigar os interstícios destes processos. Que traga consigo legados das duas faces de uma mesma moeda, de modo que se complementem, se é que isso é possível. E que seja disseminada em detrimento das teorias e práticas educacionais radicais.