Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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ESPORTES DE AVENTURA EM MATO GROSSO: APROPRIAÇÕES E MEDIAÇÕES CONTEMPORÂNEAS
Talita Ferreira, Francisco Xavier Freire Rodrigues

Última alteração: 16-10-18

Resumo


As experiências humanas adquiridas no cotidiano fazem com que os indivíduos se identifiquem com um modelo de organização social e se agrupem por meio de suas escolhas pessoais. Inseridos neste contexto, os esportes de aventura vêm despertando a atenção das pessoas e, com o crescente interesse das diferentes faixas etárias e classes sociais, os eventos esportivos passaram a ter um espaço garantido nos meios de comunicação, aumentando o número de interessados e adeptos de tais práticas. Seguindo a tendência nesse contexto esportivo, o Estado de Mato Grosso também vivencia uma expansão do número de praticantes de esportes de aventura. Mato Grosso oferece, por meio de seus recursos naturais, na diversidade de seus ecossistemas e de sua extensão territorial, espaços perfeitos para o desenvolvimento dos esportes de aventura. A escolha da modalidade esportiva, as motivações e atitudes que os praticantes adotam em meio às relações sociais estabelecidas, evidenciam um estilo de comportamento – que repercute na oferta e demanda dessas modalidades – e podem interferir no que se apresenta atualmente sobre o crescimento e desenvolvimento dos esportes de aventura em Mato Grosso. Nesse sentido, o objetivo dessa pesquisa é identificar como tem se dado o processo de apropriação pelos praticantes dos esportes de aventura diante dessa nova demanda ou oferta em Mato Grosso. Como objetivos específicos têm-se: classificar os esportes de aventura e identificar os locais de prática em Mato Grosso; analisar o perfil e as motivações que levam os participantes à prática de esportes de aventura em Mato Grosso; analisar a percepção dos praticantes sobre risco e aventura diante das modalidades praticadas; identificar “se” e “como” os praticantes preparam-se fisicamente e psicologicamente para as atividades; classificar, a partir da frequência da prática e dos cuidados para a atividade os praticantes que se apropriam dessas modalidades no campo esportivo ou do lazer e, estabelecer uma nova categoria contemporânea de apropriação dos esportes de aventura: o campo da “vivência” (contrapondo ao conceito de experiência de Walter Benjamin). Adotar-se-á uma metodologia com procedimentos qualitativos e quantitativos, com aplicação de questionários e entrevistas direcionados aos praticantes de esportes de aventura e, além disso, a pesquisa trará um estudo de caso da cidade de Jaciara – MT, conhecida como “capital dos esportes radicais” com o intuito de analisar um dos mais importantes eventos da cidade: a Temporada de Esportes Radicais (em sua 12ª edição) já que a cidade oferece a maior variedade entre as modalidades que serão estudadas: Rafting, Rapel, Canoagem, Paraquedismo, Balonismo, Mountain Bike, Jeep Cross e as Corridas de Aventura. Os dados serão organizados e apresentados em gráficos e quadros a fim de responderem aos objetivos quantitativos e uma análise qualitativa utilizando a análise do discurso para evidenciar algumas categorias na perspectiva de compreender e abordar as concepções teóricas ainda incipientes ao objeto da pesquisa. Espera-se com essa pesquisa compreender como se apresenta essa demanda apontada pela mídia de que os esportes de aventura configuram-se como novo campo esportivo em Mato Grosso e identificar como o praticante-aventureiro em Mato Grosso vem se apropriando desses esportes.


Palavras-chave


Esportes de Aventura; Apropriações; Demanda Cultural.

Referências


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