Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Mãos negras em solo hostil: o processo de ocupação da terra por pequenos proprietários rurais negros e mestiços na Primeira República em Santo Antônio do Rio Abaixo
CRISTIANE DOS SANTOS SILVA

Última alteração: 22-11-18

Resumo


Na Primeira República, muitos trabalhadores rurais permaneceram no campo com a família, estruturando uma agricultura familiar constituída por negros e mestiços, pois à lida na terra garantiria a união e a permanência do grupo, assegurando a identidade coletiva. O fato dos lavradores possuírem uma propriedade era tratado como afronta à elite agrária de Mato Grosso, pois simbolizava a ascensão e a autonomia individual e coletiva, de negros e mestiços. O estudo sobre o processo de ocupação da terra por negros e mestiços, enquanto produtores e não apenas trabalhadores rurais, desnuda uma mentalidade escravagista que permaneceu no pós-Abolição. O projeto escravagista imposto pelos usineiros, não reconhecia a cidadania das pessoas, tão pouco a liberdade conquistada, por isso, dispunham de bandos armados para a efetivação de seus desmandos, não medindo esforços para alcançarem seus objetivos em arregimentar mão de obra barata, ou mesmo, gratuita. De acordo com o interesse dos coronéis as dívidas de pequenos proprietários rurais foram compradas a revelia do interessado, e estes foram forçados a aceitarem as novas regras impostas por seus algozes; outra ação verificada foram as invasões das propriedades, com o intuito de impor trabalhos forçados aos trabalhadores livres, através de rapto, tortura e cárcere privado. Em contrapartida, em Cuiabá, nas primeiras décadas do século XX, os trabalhadores e os pequenos proprietários rurais contaram com um reforço significativo na luta por seus direitos, com a criação de associações operárias e a fundação pela Igreja católica da Liga Católica, composta pelos mais diversos segmentos da sociedade. Outro mecanismo de defesa e ofensiva utilizado contra a violência no campo foi a veiculação das práticas abusivas nos jornais, e também, o poder judiciário que era acionado através do habeas corpus.


Palavras-chave


terra, identidade negra, permanência