Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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UM ESTUDO EM AZUL: AS INTERAÇÕES E APRENDIZAGENS DE UM MENINO AUTISTA NO ENSINO REGULAR À LUZ DA ANÁLISE DIALÓGICA DO DISCURSO
Elexandra Martins de Souza Amaral

Última alteração: 18-10-18

Resumo


O interesse pelo “Transtorno do Espectro Autista” (doravante TEA) foi motivado pela leitura da “Lei Berenice Piana” (28/12/2012), que reconhece o autismo como deficiência e estende aos autistas, para os efeitos legais, todos os direitos previstos para pessoas com algum tipo de deficiência. Através dessa lei, são assegurados aos portadores do TEA, o diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional, a nutrição adequada e a terapia nutricional, os medicamentos e as informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento. Essa lei garante também o acesso à educação, ao ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho e à previdência e assistência social. Nesse contexto, procuramos observar as interações de um sujeito autista matriculado numa escola pública regular do município de Cuiabá e de investigar como ocorre o seu processo de ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa. Optamos por uma pesquisa qualitativa desenvolvida por meio de um estudo de caso etnográfico, cujos objetivos são:  1) Observar e descrever as formas de interação do aluno com sua professora de Língua Portuguesa, sua cuidadora e colegas; 2) Compreender e descrever o seu processo de aprendizagem da Língua Portuguesa;  3) Observar quais os gêneros discursivos são melhor apreendidos na compreensão de textos por esse aluno. Para alcançar tais objetivos, buscamos responder às seguintes questões: 1) Como esse aluno autista interage com sua professora de Português, a cuidadora e seus colegas de classe?; 2 Como ocorre seu processo de ensino-aprendizagem?; Há gêneros discursivos que facilitem a sua compreensão leitora? Embasado nos estudos sobre linguagem e alteridade de Bakhtin e o Círculo (1923; 1952-1953; 1970-1971; 1974-1979); nos pressupostos vigotskianos acerca de ensino-aprendizagem, desenvolvimento e “defectologia” (1930; 1934); e nos estudos sobre autismo (Gomes, 2015; Orrú, 2006; Whitman, 2015), este estudo de caso, de natureza dialógica e participativa, ocorre em contexto natural e busca reconstruir a história de vida do aluno portador do TEA. Para tanto, fazemos uso de um corpus constituído por entrevistas com a mãe, a professora e a cuidadora do aluno autista, de suas produções e de filmagens das aulas de Língua Portuguesa. Esses corporas permitiram-nos constatar que a interação do aluno com a professora de Língua Portuguesa e com os demais alunos ocorre, quase que exclusivamente, através da cuidadora, que o auxilia não apenas nas refeições e na ida ao banheiro, como também na realização dos exercícios propostos pela professora. Observamos, ainda, que o aluno não é estimulado a participar das atividades com os colegas. Em vez disso, ele senta-se quase sempre à parte com a cuidadora, que lhe explica a atividade e, ocasionalmente, fala com ele. Observamos ainda, que esse aluno faz pouco contato visual, é sensível a ruídos e compreende conceitos mais facilmente por meio de imagens e de exemplos concretos..

 


Palavras-chave


Transtorno do Espectro Autista; Interação; Aprendizagem

Referências


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SANTOS, Emilene  Coco dos Santos. Linguagem escrita e a criança com autismo. – 1.ed. – Curitiba: Appris, 2016.

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