Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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“Guerra es extrañamiento de paz, y movimiento de las cosas quedas y destrucción de las compuestas”: Guerra e Relações Militares durante o reinado de Alfonso X (1252-1284).
Rafael Costa Prata

Última alteração: 22-11-18

Resumo


Ao ser alçado ao trono do reino castelhano-leonês, o monarca Alfonso X (1252-1284) se viu imbuído do dever de operacionalizar a consolidação senhorial das regiões recentemente adquiridas por seu pai, Fernando III (1217-1252) na Andaluzia Bética. A preocupação com os assuntos de natureza bélica se fez, assim, uma tônica constante no pensamento alfonsino, uma vez que este se encontrava ciente de que, para manter e para ampliar os senhorios do reino, haveria de dedicar uma especial atenção aos caracteres militares, por serem esses os artifícios que viabilizaram a ampliação e a consolidação dos senhorios castelhano-leoneses. Por conseguinte, um dos mecanismos mais utilizados por este monarca castelhano-leonês foi a instrumentalização de uma série de concessões de senhorios nas fronteiras castelhano-andaluzas e igualmente nos territórios conquistados, que se encontravam ainda demograficamente despovoados de cristãos, aos segmentos sociais do reino, em especial, a Aristocracia e as Ordens Militares. Tendo em conta essas questões, em nossa tese em desenvolvimento, temos analisado o papel exercido pela Guerra e pelas Relações Militares no reinado de Alfonso X frente a este desígnio de consolidação senhorial do reino castelhano-leonês, efetuando assim uma reflexão historiográfica que dialoga com as abordagens recentemente oferecidas por medievalistas espanhóis como Francisco García Fitz, Manuel Gonzáles Jiménez, José María Alcántara Valle, dentre outros. Em um primeiro momento, analisamos, em especial, a Crónica de Alfonso X e o Diplomatario Andaluz de Alfonso X, afim de comprovarmos a hipótese centrada na percepção de que este monarca castelhano-leonês, além de operar uma série de guerras destinadas a angariarem a ampliação e a consolidação dos senhorios castelhano-leoneses na Andaluzia Bética, os quais se encontravam ainda demograficamente povoados por mudéjares, tratou de conceder uma gama de senhorios especialmente para a Aristocracia e as Ordens Militares para que esses senhorios, por um lado, atuassem como um braço armado do reino em tais localidades fronteiriças e, por outro, povoassem tais localidades, efetivando assim uma plena consolidação senhorial mediante um maciço povoamento de cristãos. Por outro lado, também alçamos como hipótese a percepção de que esse monarca tenha se utilizado de instrumentos jurídicos para consolidar os senhorios castelhano-leoneses e igualmente para fortalecer o poder monárquico frente aos demais poderes que compunham o corpo social do reino, em especial, o poder aristocrático. À vista disso, em um momento posterior, trataremos de analisar os preceitos militares contidos em sua tríade jurídica, o Especulo, o Fuero Real e as Siete Partidas, levando em consideração o enorme peso exercido pelas conturbadas relações de poder, pelas negociações e pelos tensionamentos vivenciados por Alfonso X durante o seu reinado, de maneira que analisaremos o conteúdo disposto em cada um dos compêndios tendo em conta o seu peculiar contexto histórico de produção.


Palavras-chave


Alfonso X; Guerra; Castela-Leão.