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INTERFERÊNCIAS DA LÍNGUA MATERNA NA APRENDIZAGEM DO PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL
Ana Cecília Fonseca Matos

Última alteração: 18-10-18

Resumo


A procura pelo ensino do português como língua adicional (PLA) (SCHLATTER; GARCEZ, 2012) vem apresentando um aumento significativo devido a diversos fatores. A globalização, o desenvolvimento tecnológico e a expansão de serviços têm feito com que o mundo volte seus olhos para o Brasil, a língua portuguesa vem ultrapassando fronteiras físicas e ampliando seu poder de atuação como língua adicional para diversos povos, como refugiados ou visitantes temporários no Brasil. O conceito de língua adicional (LEFFA e IRALLA, 2014) surge da emergência de um novo paradigma de entendimento sobre o ensino de língua não materna, pois não se trata de aprender uma língua, mas sim outra(s) língua(s) dentro do repertório linguístico que o falante já traz consigo. Diante disso, este estudo tem por objetivo compreender o processo de aprendizagem do português como língua adicional, observando as interferências (WEINREICH, 1953) da língua materna (LM) do indivíduo estrangeiro neste processo. Sabe-se que o aprendiz de uma língua adicional faz uso da sua bagagem linguística em LM no processo de estudo da língua alvo, com isto, muitas vezes, surge um sistema linguístico aproximado, conhecido como interlíngua (SELINKER, 1972), além de decalques linguísticos (ASSUMPÇÃO Jr., 1986). O público selecionado para esta pesquisa etnográfica são haitianos, residentes em Cuiabá, da comunidade interna e externa da Universidade Federal do Mato Grosso. A língua portuguesa é adicional ao repertório de línguas que esses aprendizes já adquiriram – a maioria dos sujeitos, fala o crioulo haitiano e o francês. As características (formais e/ou informais) dessas línguas não desacompanham esses falantes no aprendizado em sala de aula. Os resultados deste estudo podem oportunizar grande contribuição às metodologias de ensino-aprendizagem de PLA, visto que mostram como as influências de fatores linguísticos e extralinguísticos, na aprendizagem de uma língua adicional, estão presentes não apenas  no âmbito gramatical. Sendo assim, o olhar atento do professor de PLA deve se voltar para além do momento de sala de aula e investigar os outros contextos imersivos de aprendizagem da língua que os aprendizes estão vivenciando. Esses contextos podem, dada a liberdade, exercer uma grande influência na aprendizagem da língua adicional e reforçar estruturas linguísticas ainda não assimiladas por alguns sujeitos. Dessa maneira, “o professor que já tiver feito a comparação da língua estrangeira com a língua nativa dos alunos saberá melhor quais são os problemas reais da aprendizagem e poderá melhor tomar medidas para ensiná-los” (LADO, 1971).


Palavras-chave


Interferências linguística; haitianos; língua adicional

Referências


ASSUMPÇÃO Jr., Antônio Pio de. Dinâmica léxica portuguesa. Rio de Janeiro: Presença, 1986.

LADO, Robert. Introdução à linguística aplicada. Petrópolis:Vozes, 1971.

LEFFA, Vilson J.; IRALA, Valesca Brasil. O ensino de outra(s) língua(s) na contemporaneidade: questões conceituais e metodológicas. In: Vilson J. LEFFA; Valesca B. IRALA. (Orgs.). Uma espiadinha na sala de aula: ensinando línguas adicionais no Brasil. Pelotas: Educat, 2014, p. 21-48.

SELINKER, L., Interlanguage, IRAL; International Review of Applied Linguistics. In: Language Teaching, 10:3 (1972) p.209.

WEINREICH, Uriel. Languages in Contact: Findings and Problems. In: Linguistic Circle of New York. Nova Iorque, 1953.