Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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PROCESSO DE ESTRANGEIRIZAÇÃO DE TERRAS EM MATO GROSSO: UMA LEITURA A PARTIR DOS DADOS COLETADOS PELA REDE DTALUTA BRASIL (2013-2017).
Lima Lima Silva

Última alteração: 26-10-18

Resumo


A questão agrária no Brasil é marcada pela desigualdade, contradições e conflitos, resquícios de um passado colonial que ainda hoje reflete seu conteúdo concentrador e excludente. Articulado com o mercado, politicas implantadas pelo Estado favorece a posse da terra como meio de produção capitalista, caracterizando a priorização de determinados grupos em detrimentos a outros refletindo no processo de acesso à terra. No bojo desse processo encontra-se a estrangeirização da terra, ou seja, aquisição de terras produtivas no território brasileiro através de compra, concessão e arrendamento de áreas rurais por multinacionais, corporações estrangeiras e/ou empresas brasileiras com capital estrangeiro, obtendo controle do uso e exploração da terra. Diante da complexidade do conteúdo da questão agrária, o presente estudo tem como objetivo analisar e comparar sistematicamente os dados sobre os aspectos da estrangeirização da terra em áreas rurais do estado de Mato Grosso, a fim de compreender a dinâmica desse processo articulado com o agronegócio. O desenvolvimento da pesquisa é composta por um conjunto de procedimentos metodológicos, com levantamentos bibliográficos, buscas em site, jornais; registros fornecidos pelo IBGE e INCRA; e conjunto documental reunindo leis, pareceres e relatórios jurídicos; além dos dados retirados dos Relatórios da REDE DATALUTA sobre a Estrangeirização de terra em MT, onde analisou-se a publicação de 2017, cujos registros são dos anos de 2014, 2015 e 2016. O tema abordado é trabalhado numa escala estadual, dinamizando com conteúdo nacional e global. Os resultados mostram que a territorialização do capital estrangeiro na atualidade está ligada principalmente a cadeia produtiva do agronegócio, por meio de articulações econômicas desenvolvidas por empresas rurais estrangeiras com a dita financeirização da agricultura, protagonizada principalmente pela produção de commodities. Em síntese, diante das discussões e dos dados DATALUTA (2017), a realidade dentro do estado de MT apontam que a territorialização do capital estrangeiro está principalmente na produção de grãos em rotação como a soja e milho; seguido do algodão, cana-de-açúcar e mercado de terras. Ao se elaborar um panorama da atuação do capital internacional nas empresas no estado identificou-se uma diversidade de capitais envolvidos cuja a maioria trata-se de empresas brasileiras com capital estrangeiro e capital de origem somente estadunidense. Esse cenário, aponta para uma tendência de concentração de terras produtivas em domínio internacional, possibilitando monopólio de determinados setores econômicos, além de vulnerabilidades sociais como não democratização do acesso terra, além da questão ambiental decorrente do uso indiscriminado de agrotóxicos e ampliação de áreas desmatadas frente a intensificação da expansão agrícola.

 

 


Palavras-chave


Estrangeirização; Aquisição de terra; Empresas rurais.

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