Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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SLAM: O PERCURSO ATÉ A INCLUSÃO DE SURDOS, NO BRASIL
Wanderlina Maria Souza Araújo

Última alteração: 18-10-18

Resumo


Há um espaço no mundo contemporâneo para expressão poética oral e performática: o slam, manifestação artística cujos temas mais frequentemente abordados versão sobre violência, drogas, sexismo, racismo, políticas públicas, sociais, opressão, preconceito. O slam tem características  de um sarau porque é uma reunião literária noturna mas também tem  características de uma competição haja vista a classificação da melhor performance do evento por critérios como duração no máximo de três minutos, não uso de quaisquer outros acompanhamentos musicais ou não, entre outros e é categorizado inicialmente em níveis regionais - bairros, cidades, unidades federativas, país, nessa progressão de importância - com pretensões futuras de representação, pelo(a) slammer ganhador(a), noutras competições em níveis mundiais, como as ocorridas na França, anualmente.  A palavra slam seria uma onomatopeia da língua inglesa utilizada para indicar o som de uma janela ou porta sendo fechada com muita força e/ou violência.  O evento literário originou-se nos Estados Unidos, na década de 1980.  Conforme nossas pesquisas até o momento indicam o primeiro no Brasil foi fundado em 2008, por Roberta Estrela D’Alva, diretora musical, pesquisadora, atriz, MC e apresentadora do programa televisivo “Manos e Minas”, da TV Cultura de São Paulo, denominado ZAP!SLAM - a primeira parte antes do ponto de exclamação significa Zona Autônoma da Palavra e se identifica também com uma onomatopeia. Dentro desse espaço literário, destacamos as performances poéticas que envolvem a Língua Brasileira de Sinais – Libras por ser algo relativamente recente e ainda desconhecido por algumas comunidades de surdos configurando outras formas de valorização e reconhecimento dessa língua.  Nosso trabalho se concentra nos poetas  surdos Edinho Santos, de São Paulo e Gabriela Grigolom Silva, de Curitiba que se aproximaram dos slams no País por caminhos diferentes. Inicialmente vinculados somente a pessoas não surdas, esse fato não constituiu um óbice para estas duas pessoas que se revelaram grandes artistas, de tal forma reconhecidos dado o expressivo volume de visualizações de suas performances divulgadas pela internet. Neste trabalho pretendemos mostrar esse percurso.

Palavras-chave


Slam surdo; Outros espaços literários

Referências


•MOURÃO, Claudio Henrique Nunes. Literatura Surda: produções culturais em língua de sinais.  Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade do Rio Grande do Sul como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Educação. UFRGS: Porto Alegre, 2011. •STUMPF, Marianne Rossi; QUADROS, Ronice Muller; LEITE, Tarcísio de Arantes (orgs.) Estudos da Língua Brasileira de Sinais II. Performance Poética em Sinais: o que a audiência precisa para entender a poesia em sinais. In:  Rachel Sutton-Spence e Ronice Muller de Quadros.  Insular:  Florianópolis, 2014. •ZUMTHOR, Paul. Introdução à Poesia Oral. Tradução: Jerusa P Ferreira, Maria Lucia D Pochat, Maria Inês Almeida. HUCITEC: São Paulo, 1997